sexta-feira, agosto 11, 2006

Ein problem, das ich beachtete

É incrível como eu noto uma porrada de gente semelhante, hoje em dia. Não no aspecto exterior, mas no aspecto interior. O interior é o subjetivo, é algo que você mesmo cria, a partir de sua forma de analisar as coisas e o mundo. Claro que pode haver semelhanças de interiores, como o fato de você torcer para um mesmo time de futebol que uma outra pessoa, mas isso é uma coisa simples e de pouca importância. O problema é que noto uma "importação" do caráter e jeito de ser das pessoas. Onde eu fiz essa análise, percebi que os jovens tinham um padrão de pensamento, objetivos, moral e opiniões. Necessariamente, isso não seria ruim... Talvez fosse um grupo de jovens bem instruídos, com idéias em comum... Mas não é bem assim. Infelizmente, são jovens padronizados ao "senso massificado", que é um ideário subjetivo de valores internos que a sociedade capitalista designou como um paradigma. Ou seja, é o padrão que a sociedade capitalista usa pra dizer: "Olha que jovem comportadinho! Ô, coisinha linda do papai! Senta aqui no meu colo e me ajuda a crescer com teu esforço, sem questionar minhas contradições".

Nesse ideário, todo mundo é feliz. Se você está nele, você é feliz, só que mais na teoria que na prática. Não sei como, mas você é guiado a acreditar que és feliz. Não faltam oportunidades para que o "bom humor" apareça no ar e te faça rir, dizendo que ficar triste é coisa de "idiota que não sabe aproveitar a vida", que você é feliz, mesmo sem saber, que você deve ser feliz, feliz, felizfelizfelizfelizfel... Sabe, isso me lembra até um livro, chamado "Admirável Mundo Novo" (é raro eu ler livros), onde, numa sociedade tecnologicamente avançadíssima, as pessoas tomam diariamente uma droga chamada "soma", que lhe dá o sentimento de felicidade por um certo período de tempo. Dessa forma, você está sempre de bem com a vida, jamais fica deprimido, vai trabalhar numa boa, a produtividade aumenta, o capitalismo agradece, ri da sua cara, e você ri junto, achando que ele está a rir contigo, e não de você.

"Peraí, Zé... É problema ser feliz?". Não, amigo, não é! O problema é deixar que eles te convençam que você é feliz, ao invés de você mesmo buscar sua própria felicidade. Uma coisa é ser feliz, outra, é ser convencido de que és feliz. Você pode estar passando por uma puta depressão, mas você se acha feliz porque meteram isso em sua cabeça, mas você começa a se questionar, pois, se você "é feliz", por que sente depressão? Você começa a ser um indivíduo confuso, e pessoas confusas são facilmente guiadas por outras, pois não conseguem achar o seu próprio rumo. Enquanto você está em mar de confusão, eu poderia dizer: "Tá pedreira? É ruim toda essa confusão... Mas não se preocupe, trabalhe bastante na minha empresa que você ficará bem feliz". Pronto! Eu já te guiei em meu próprio benefício! Claro que, na prática, o subliminar não é tão na cara assim. Pouco a pouco, os cartolas da sociedade vão criando um paradigma de vida, exaltando com intensidade a importância do sucesso em uma carreira trabalhista, o quão é importante ter uma profissão boa e uma alta renda, o quão é importante "afogar-se" nos estudos de conhecimento técnico, o quão é importante ter um alto padrão de vida. Ou seja, de tanta importância que dizem ter essas coisas, acaba caindo na cabeça de vários que são coisas fundamentais para a vida, e, logo, devem ser alcançadas. Dando, como resultado, um pensamento mais ou menos assim: "Preciso, com urgência, ser um grande profissional e ganhar dinheiro, senão, serei um ninguém na vida".

Seguindo essa lógica, o pensamento a seguir também é válido: "Se eu sou um grande profissional e ganho dinheiro, sou alguém na vida".

Resumindo, para que sua existência seja algo válido, você só precisa:

- Ser um grande profissional;
- Ganhar dinheiro;

Assim, esqueça os bons valores que realmente importam! Adote os do sistema! Tá fazendo o que, aí, parado? Vai ser médico, advogado, engenheiro, programador de computação! Importe-se só com o seu dinheiro e status! Vire as costas para e ética, concentre-se principalmente com o sucesso pessoal! Ensine isso para o seu filho e contribua para fuder de vez toda a sociedade! :)

Era o que faltava! Um monte de gente sem bons valores, convencidos de que são felizes porque estão no caminho para tornarem-se grandes profissionais!

Ligando o sistema anti-má-interpretação-de-texto: Não é problema você se um grande profissional e ganhar dinheiro, se você quiser contribuir para essa sociedade fútil. É problema se você o fizer visando apenas status e renda! Melhor explicando, não é ruim você ser médico e ganhar seu salário legal, mas é ruim você fazer isso sem ética, sem realmente ligar para o paciente que você atende, deixando de fazer o que é certo em situações críticas, pôr o benefício pessoal acima do bom senso, etc. Seja uma pessoa de atitude! Trate aquele bóia-fria que veio do campo à cidade, tratar-se de uma doença, do mesmo modo que trataria aquele respeitadíssimo juíz criminal. Seja cordial com todos, procure estender suas habilidades para pessoas que realmente necessitam, não caia na tentação de roubar! Nossa... São tantos bons valores. Mas, quando vejo um médico que faz isso, eu digo: "Esse cara é foda! Se morrer, vai fazer uma falta enorme ao mundo!". E é esse tipo de cara que quando morre, o enterro lota de pessoas simples, humildes, mas de sincero e intenso afeto, porque o cara foi realmente um bom sujeito enquanto vivo.

* Nota do autor: Sei que estou longe de ser o cara de bons valores que descrevo acima, e acho difícil eu sê-lo, mas, das poucas boas intenções que tenho, eu gostaria de ver as pessoas enriquecendo seu lado interior, o seu subjetivo, melhorando a afetividade com o próximo e a redução do egoísmo.

Não sou um exemplo pra juventude, mas digo com firmeza que falta personalidade na cabeça dessa garotada! Falta eles criarem suas próprias opinões, pois não aguento mais ver todo mundo com a mesma opinião sobre algo, e, pior, essa opinião ainda vem do bom senso massificado, de um mundo com muita ladainha e pouca atitude. Falta eles criarem seus próprios gostos independente das influências externas, valorizar sua cultura, rebater o genocídio, falta deixarem de ser pseudo-intelectuais e virarem intelectuais de verdade, falta admitirem suas verdadeiras falhas, a podridão que o ser-humano tem dentro de si, renegando por completo a falsidade, e, depois de tudo isso, tentar melhorar, sempre mantendo a modéstia. Enfim, falta esse pessoal ser eles mesmos. Aí, descobrindo a si mesmo, descobres ao próximo, e, juntos, descobrirão uma forma melhor de administrar o mundo.

* Sou pessimista... Acho difícil, mas espero que tudo dê certo, um dia. :)