Meine wünsche
A cada dia que passa, eu fico pensando se não estou cada vez mais longe de concretizar meus sonhos. Eu penso na concepção da palavra "sonho"... No sentido em que a estou usando, não me refiro àqueles delírios que temos enquanto dormimos. O "sonho" de que falo talvez seja um "desejo vital", que necessitamos para atingir um bem maior, a felicidade própria. Se a felicidade é própria, então seria egoísmo sonhar? E aqueles que sonham com um bem geral, como a paz mundial? Será que ele sonha com a paz mundial porque preocupa-se com os outros ou porque a tal paz satisfaria a si próprio? Tudo é confuso, olhando deste ponto, mas firma-se a tese de que o ser humano ainda age muito por egoísmo.
Mudanças de assunto à parte, o Zé acha-se distante do que planejou para a vida. Como nunca planejei algo megalomaníaco, tipo ser o dono do mundo, sempre achei que eu teria boas chances de realizar meus sonhos. Sinceramente, são sonhos simples. Um deles, e de alta importância, seria eu apaixonar-me por uma mulher, casar e ter filhos. Olhando de longe, e por uma óptica panorâmica, não é difícil. O foda são as circunstâncias que a mim se aplicam. Já disse no primeiro post deste blog que não sou bonito, e, por mais que a menina não seja do tipo que dê muita importância à beleza, alguém feio pode causar uma má impressão inicial. Para piorar, estou satisfeito com meu visual, e não pretendo mudar, embora eu tenha de lidar com as consequências. Eu ser introspectivo dificulta, também. Eu não ser engraçado, idem. Então, mesmo que eu tivesse todas as outras qualidades do mundo, seria complicado para uma mulher aturar alguém feio (e gordo), tímido e chato. E tudo isso me causa mais raiva que tristeza. Fico insatisfeito de saber que vai ser pedreira arrumar uma noiva. Mas e se eu arrumasse?
A mulher teria que ter uma santa paciência, para aturar meu estilo "modesto". Nunca gostei de regalias, nem de muita riqueza material. Eu almejo a profissão de professor. Lecionar sabe-se-lá-o-quê... Talvez matemática, história, filosofia... Além de eu não simpatizar em ensinar alguém para que essa pessoa vá fazer uma prova de vestibular. O que eu realmente gostaria era ensinar à pessoa coisas úteis para a vida dela, ensinar culturas (poucas que tenho, mas vale), pensamentos, experiências... Eu poderia estudar feito um louco, virar doutor e lecionar conhecimento técnico com plena maestria. E depois? Eu teria um aluno que executaria seu trabalho com exímia perfeição, mas seria um idiota perante a vida. Então, eu almejo coisas bem simples, e, consequentemente, levando em conta o funcionamento da sociedade, eu não teria uma condição de sobrevivência muito boa, já que a mesma é, em grande parte, atrelada à renda financeira que você recebe, o que, provavelmente, não será alta, visando o que pretendo exercer como profissão. Não digo que serei pobre, mas muito menos direi que serei rico. Talvez eu seja aquele sujeito que aproveite-se da malandragem para conseguir uma consulta grátis com aquele velho amigo que formou-se em medicina. Coisas do tipo.
Já tenho baixas esperanças quanto me casar e exercer minha profissão da maneira que eu bem gostaria... Mas, como desgraça pouca é bobagem, isso também afetou outros sonhos, como entrar em uma banda musical. Seria algo simples, talvez apenas entre amigos. Tocaríamos um gênero de música que muito aprecio, o folk (músicas folclóricas). O problema é que existe uma massa massivamente gigante de pessoas que abominam o estilo. E uma banda de folk boa começa a surgir com quatro membros, para ter uma boa variedade de instrumentos (não que seja impossível fazer uma banda boa com três ou dois integrantes). Ou seja, a grande chance era que eu fosse tocar sozinho, mesmo, já que eu não acharia nenhum outro interessado na banda. E, para piorar, toco minha flauta que nem uma criança de 4 anos, quando ganha uma de brinquedo.
O mesmo vale para meus poemas. Alguns até que têm certo charme, mas não chegam a arrancar um elogio superior a "é... tá legalzinho". Falta-me conhecimento de palavras, também. Além de técnica para os poemas. Os temas, em sua maioria, narram desgostos que tive em uma única relação amorosa, que como fruto teve um amor sofrido que carrego até hoje, e muito inspirou meus poemas. Poucos falam sobre outras coisas, como um olhar simples sobre a sociedade. De qualquer maneira, são poemas simples e pouco originais.
Talvez o meu problema principal seja ser razoável em várias coisas, sem ter especialização, enquanto muitos são ruins em várias coisas, mas possuem algo em que são realmente bons. Isso acaba por tornar-me um errante em atividades, podendo sempre fazer algo novo, o que de certa forma me consola... Mas, seria eu mais feliz se eu fosse diferente ("diferente" na teoria, na prática eu seria igual aos outros), ou talvez, se eu fosse como os outros, eu estaria questionando se eu seria mais feliz sendo diferente. Pode ser que, realmente, a felicidade não seja plena. Pode ser que tenhamos sempre de tomar uma decisão levando em conta as vantagens e desvantagens dali trazidas.
Como o som desarmônico de minha flauta, vou seguindo com a vida. A esperança é o ópio do fraco, mas é minha solução. Se leu até aqui, obrigado pela paciência.


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