Politik
Mais um dia chato no colégio. Assim que foi hoje, ontem e, provavelmente, amanhã. Graças a Deus é meu último ano naquela merda. Espero passar no vestibular e ver se a vida de universitário tem algum entretenimento.
Bom, mas o que quero falar é outra coisa. Apesar de ter sido um dia comum (leia-se "chato") no colégio, teve algo chamativo. Na hora do recreio, quando eu deveria ter saído para brincar ao sol com meus poucos amiguinhos, um exu de preguiça me possuiu e fiquei jogado na carteira, esperando passar o ócio. Nisso, reparei que um aglomerado de jovens tinha se formado na minha sala... Devia ter uma dúzia de "galerinha irada" reúnida, discutindo sobre algo que me parecia ser política. Eles falavam alto, berravam, mostravam indignação, reclamavam do sistema, diziam que a carga horária do estudo era grande, que o país tava ruim, que isso, que aquilo... Para minha humilde opinião, ou é hipocrisia, ou é ignorância.
Devo confessar que não entendo nada de política. Só sei que o Lula tem um dedo a menos em uma das mãos e que é um ex-torneiro mecânico. Não sei das CPIs que rolam, não sei das corrupções, não sei de nada. Sou bem apolítico. Quando quero reclamar, reclamo do mundo em si, e não da forma como um país é governado. Por exemplo, os Estados Unidos é o país com maior poder econômico, atualmente. Isso prova que seus governantes estão conseguindo manter o país como líder desta ordem mundial, mesmo que seja por pouco tempo. Mesmo assim, as pessoas que lá habitam não são puras. Lá existem pessoas que não têm piedade de mandar seu filho meter bala nos iraquianos, tem gente que não tá nem aí pra pobreza alheia, tem gente egoísta pra caralho... Assim como todos nós somos. Então, não adianta mudar política, tem que mudar o ser-humano. Num outro post talvez eu fale mais sobre isso, porque já desviei o assunto.
Na verdade, o que realmente me surpreendeu foi a galera reclamando. Ali era um monte de riquinho. Acho que não tinha um daqueles que o papai não viesse buscar na porta do colégio, com o New Civic ou o Corolla. Um bando de neguinho que se mata de estudar porque não tem estruturação psicológica para perceber até onde as coisas se tornam fúteis. A maioria pretendente de curso medicina/direito, nas universidades locais. Na real, não sou pobre, nem rico. Todo dia eu volto de ônibus, nesta cidade que supera 40°C, fico enfurnado naquela lata, chego em casa andando debaixo do sol de 1 da tarde, não sou ambicioso, não louvo dinheiro, só quero tranquilidade e amor. Nunca reclamei do reflexo da política sobre mim. Agora, o que essa galerinha quer? Qualquer coisa que carecer, os pais bancam. Quer ir pra festinha no fim-de-semana? Os pais bancam. Quer fazer mais um cursinho caro pra encher a cabeça de estudo? Os pais bancam. Os pais deixam soltos, eles fazem o que querem, e depois, mimados, ligam pro pai resolver a cagada... Essa galera não tem que reclamar de nada. Tem mais é que levantar as mãos pro céu e dizer bem forte: "Jesus, obrigado por eu ter uma vida de príncipe sem ter feito porra nenhuma pra merecer isso". Eu sou egoísta, já dividi minha grana com pessoas de baixa várias vezes, mas isso não é suficiente. Digo que nunca me senti um miserável por encher o bucho de comida, enquanto tem nêgo passando fome pelos quatro cantos do mundo. Digo que nunca me senti compadecido com as trocentas mortes que vejo acontecer por aí, todos os dias. No máximo, eu reconheço: "Que foda... Se o amor não vem, é melhor que todos os seres humanos comam capim pela raíz". Porra, somos todos uns merdas. Nós só nos preocupamos conosco! Não adianta pagar de pseudo-intelectual por aí, pregando a conduta política perfeita, porque no sistema em que vivemos, o teu bem-estar é a fudição de outra pessoa. Não existe o pobre sem o rico, e nem o rico sem o pobre! O pessoal não mete isso na cabeça. Mal tenho religião formada, não sigo nenhuma, mas reconheço que Jesus falou certo: "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei". Se você ama o outro, não vai deixar ele passar fome! Todas as pessoas do mundo repartiriam sua comida com os famintos, e a fome acabava. Se você ama o outro, vai perceber que as 3 fazendas que teu pai tem no interior é muita areia pro caminhão dele, vais doar o que não precisas e abrigar famílias sem-terra, reduzindo o número de desabrigados. São coisas como essa que digo! É como os índios daqui viviam, antes da chegada dos colonizadores. Não haviam todos esses problemas sociais, porque não havia propriedade privada, e, por consequência, o egoísmo era desestimulado.
Acabando com o egoísmo, cultivando o amor, haverá uma sociedade bastante justa, sem que precise ser escolhido um presidente, governador, senador e segue todo o Congresso... Enquanto isso, em ano de eleição, vamos fazer um pseudo-intelectual feliz, dizendo: "Cara, você realmente é muito foda em política. Você é um homem de idéias e é bastante inteligente". Ego deles não tem cura, vai ser exarcebado até a morte. Vão crescer de peito estufado, achando que são peças vitais na sociedade, mas, por trás das cortinas, meros peões de um jogo de xadrez, jogado por alguns sombrios homens humanos que controlam a vida de tudo e de todos, por meio de um sistema.
* Desculpem a arrogância minha exibida aqui, mas é que fico puto, aí nem penso em usar eufemismos ou coisas do tipo. Se leu até aqui, obrigado pela paciência.


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