sexta-feira, setembro 01, 2006

Phantasie und philosophie

Cada um tem algo que gosta de fazer para fugir da rotina e do stress. Geralmente, eu não sou estressado, só fico entediado com essa rotina tosca e com o que me reserva no futuro. Eu poderia fazer como alguns e usar drogas... Uma fraca, tipo maconha. Entretanto, não é o meu tipo. Dizem que essa droga te faz delirar, que você tem umas visões estranhas... Imagina eu gastar um dinheirão pra comprar maconha e ter um delírio do Flamengo perdendo a final do Brasileirão pro Corinthians, de 6x0, em pleno Maracanã... Nem fudendo! Além do mais, essa porra de maconha parece fazer mal. Eu já não ando bem de saúde, é só uma questão de tempo até um câncer ou ataque cardíaco me fulminar. Só resta saber qual dos dois ganhará primeiro a corrida. Isso se eu não for importunado pelas mazelas da sociedade, e ser perfurado por balas oriundas da arma de um bandido perverso e aniquilador. Esse mundo é uma merda, mas também não sei como é a morte, ou se sequer tem um mundo além desse. É esperar para saber.

Bom, de qualquer maneira, voltando ao assunto principal, o que uso para me divertir é a imaginação. É praticamente a mesma ladainha que você via nos programas de televisão: "Use a imaginação, amiguinho". Então, eu imagino o que eu quiser. No mundo da imaginação, nada tem limites! O Flamengo pode ser o melhor time do mundo, o Paysandu pode ser rebaixado pra quinquagésima-oitava divisão, eu posso ter uma mulher que me ame, posso ter uma gaita galega, posso viver num mundo com amor e permitir que todos sejam felizes, sem que precisem trabalhar num sistema que destrua a natureza e crie tecnologias fúteis que estimulam o ócio até para respirar.

O que eu só queria saber é qual o problema de eu imaginar? Consideram isso coisa de doido, de quem vive com a cabeça nas nuvens. No entanto, o que é mais lúcido: Viver num mundo de sofrimento ou facilmente viajar para um lugar onde tudo é perfeito? Me tornei expert em imaginar, eu simplesmente fico semi-inconsciente em qualquer lugar e começo a delirar. O que é triste é saber que eu não precisaria imaginar um lugar bom para se viver, a realidade poderia ser muito boa, se assim as pessoas quisessem. Eu posso dar uma lista com 1000 motivos bons, coerentes e verdadeiros, seguido de um: "Cara, tenta te divertir, pára de estudar feito um condenado, pára de pensar em mulher como mero objeto sexual, pára de pensar só em você, pára de ser egoísta, reflete sobre os motivos que te mostrei e cultiva o amor". Estranho é eu fazer isso, o cara CONCORDAR comigo, mas não querer mudar. Ele diz algo do tipo: "É, cara... Você tem razão, mas... Tsc". E fica por isso, mesmo. Talvez seja má-vontade, ou preguiça de alienar-se o máximo possível do sistema. A partir daí, o cara cresce, vira um workaholic, entrega-se ao trabalho e esquece o bom da vida. Só quem não acha isso coisa de doido é o patrão do cara, que vai lucrar muito com idiotas desse fetio. Na real, esse sistema capitalista te manipula e é capaz de fazer até uma jeba de jumento no ânus parecer boa coisa, que dirá fazer parecer que trabalhar feito condenado é a melhor coisa do mundo. Não estou muito longe disso. Se eu quiser deixar essa sociedade para trás, não vou encontrar nem um pedaço de terra para plantar minha subsistência, já que a porra dos homens capitalistas já surrupiaram tudo. Então, tudo o que posso fazer é participar o mínimo possível do capitalismo e tentar abrir os olhos de quem eu puder, para que participem o mínimo, também. Dá certo? Não. Até agora, não deu. Talvez o máximo que eu alcance com isso seja esse diálogo de meus amigos, no dia do meu enterro:

- O Zé era cheio de utopia, pena que ele não conseguiu porra nenhuma.
- Ele disse pro meu filho que era melhor virar um punheteiro que tratar uma mulher como objeto sexual.
- E aí?
- Aí, eu expulsei o Zé de casa com socos e pontapés... Onde já se viu, meu filho punheteiro?! O negócio é ser macho, comer um monte de mulheres, e casar só pra tirar onda.
- Isso não é só uma mímesis de vida boêmia, vazia e sedenta por auto-afirmação?
- Que isso, rapaz? O Zé baixou em ti? Saravá!
- Talvez ele tenha influenciado um pouco a gente... Mas não importa. Saindo daqui, vamos pegar nossa parte da herança que ele deixou e vamos tocar para um puteiro, traçar umas.
- Boa, brother! É assim que se diz!

Não sei ao certo por que criei esse texto... Talvez para mostrar que tenho duas vezes mais delírios que um maconheiro, mesmo sem fumar maconha, ou talvez para criticar as pessoas, mais uma vez. Hoje, faltei aula e tive tempo para refletir sobre algumas coisas, rever idéias e elaborar novas. Um professor tinha me falado de "ócio produtivo", que era coisa de gregos que tinham escravos para trabalharem por eles, assim, os gregos possuiam tempo para poder filosofar e coisas do tipo. Talvez aconteça o mesmo, comigo. Enquanto eu coço o saco e minha mãe vai trabalhar, eu fico tendo idéias para um mundo melhor, achando que sou um homem inteligente e coisas do tipo... Entretanto, como nunca pude aplicar elas na prática, e nem vou conseguir mudar o mundo, pode-se dizer que sou apenas um "burro conscientizado". Agora, se me dão licença, vou imaginar que existe alguém além de mim que vá visitar este blog e ler este texto.

Obrigado.