domingo, outubro 29, 2006

Das übel innerhalb der männer

Hoje, o Luís Inácio ganhou as eleições para virar presidente do Brasil. Sou bastante apolítico, sei de pouquíssima coisa que acontece no mundo da política. Por isso, se eu fosse votar, eu votaria nulo. Não como forma de protesto conforme muitos pseudo-intelectuais fazem, mas por ignorância, mesmo. De qualquer maneira, nem sei por que tô postando isso... Só para atualizar, mesmo. É provável que saia bastante merda daqui, mas vamos lá!

Quando eu ouvia pela boca dos outros as palavras: "Lula ladrão! Filho da puta! Corrupto!", eu pensava que ele tava com popularidade bem baixa, sendo totalmente incapaz de se eleger. Entretanto, hoje, o homem se elegeu... Não precisa esperar para tomar a posse como presidente, já está no seu devido posto, somente com o mandato prolongado. Hoje, tudo acabou. Acabou aquela corrente de pseudo-intelectuais contra o Lula, os debates chatos e o horário político. Na verdade, só o fato da redução de oportunidades do pseudo-intelectual mostrar todo o seu domínio sobre o que não sabe já é uma dádiva de Deus... Eu já não aguentava mais os adultos que viveram na época da ditadura militar e os jovens que queriam ter vivido na época da ditadura militar (só para participar das revoltas estudantis) exporem suas idéias não como forma de melhorar as coisas, mas somente para elevar o ego deles.

Um pessoal perto de casa fez uma festinha para comemorar a vitória do Luís Inácio. Eles soltaram fogos de artifício, gritaram e fizeram a maior barulhada. No final das contas, eu não entendo se o Luís é amado ou odiado. De uma forma ou de outra, eu percebi que a maioria dos admiradores do Geraldo eram pessoas de classe média - os do Luís eram pessoas de classe baixa - e isso me deixou encucado. Pelo o que parece, e pelo o que alguns me disseram tacitamente, muitos que simpatizam com o Geraldo é porque querem mais do que já têm, um governo neoliberal governando para a classe média. É... Até seria bom... Só que a classe média não é maioria. Se só a classe média fosse privilegiada, eles ficariam mais ricos ainda, e o pobre ficaria na miséria de sempre. Caso fosse a classe baixa a favorecida, os pobres deixariam de sê-los e o pessoal da classe média continuaria bem de vida. Ou seja: Uma diminuição das diferenças de classe, começando pela maioria da população, a classe baixa, que é a mais desfavorecida. Ainda assim, enquanto houver capitalismo, haverá concentração de renda, e como o capitalismo têm em sua essência de funcionamento a diferença de quantidade de riquezas, a concentração dará-se de forma desigual, ocasionando diferenças sociais por intermédio do sistema político-social vigente (capitalismo), já que, nesse sistema, não se vive bem se não tiver dinheiro.

Até aqui, analisei os galhos da árvore do problema, ou até mesmo o caule, mas a raíz continua intacta. Antes de dizer qual a raíz do problema, vamos imaginar uma situação: Em uma certa eleição para presidente da república, há dois presidentes honestos, incorruptíveis, e cada um com sua proposta de governo:

* Candidato Fulano promete governar em prol da classe baixa, pouquíssimo favorecendo a classe média.
* Candidato Beltrano promete governar em prol da classe média, pouquíssimo favorecendo a classe baixa.

Sabendo que os dois candidatos, de acordo com a situação imaginada, são totalmente honestos, eles cumprirão plenamente o que prometeram.

Agora, vamos ao principal! Todos da classe baixa votariam no Fulano, já que ele é a luz no fim do túnel para a miséria que eles enfrentam. No entanto, o pessoal da classe média votaria no Beltrano, e fariam de tudo para que ele ganhasse a eleição. Ora, os bem-de-vida não estão satisfeitos com o que têm? E os irmãos da classe baixa, que há tempos estão fudidos e quase não há atenção para com eles? As pessoas só se preocupam com o próprio bem-estar, jogam no Tártaro a vida de trocentas pessoas, se puderem ter para si mais riquezas do que já possuem. Existe egoísmo, existe individualismo, existe avareza. São maus valores que geram bastante problemas, principalmente em uma sociedade que difunde, mantém e faz uso desses valores. O que era ruim, ficou pior, pois a essência de uma coisa ruim é usada para envenenar o que há por perto. Acúmulo de riquezas materiais? Avareza. Reduzir a amplitude de mundo a apenas ao que lhe diz respeito? Individualismo. Permitir e aceitar que pessoas vivam em condições sub-humanas? Egoísmo. Tudo isso é triste, e assim anda o nosso mundinho. Eu me sinto um merda por não ter compaixão das pessoas que morrem nas guerras, ou por comer um prato de comida sabendo que tem gente com muito mais fome que eu. Eu nasci privilegiado, nunca passei fome, nunca passei necessidades, fui mimado e nunca conheci a verdadeira realidade do mundo. A ignorância e o individualismo contribuem para que os ricos sintam-se à vontade no mundo de hoje. Era para eu me sentir assim... À vontade. Não me sinto. Embora eu seja extremamente impuro e goze de boa posição social, eu penso comigo mesmo, quando vejo algo ruim no mundo: "Se o homem agisse diferente, tudo isso poderia ser melhor". Creio que não estou errado. Aliás, por sinal, há muito veio alguém aqui, nos avisar de todo o sofrimento que seria causado caso o homem não se purificasse. No entanto, pessoas humanistas e puras que pensam no bem-estar de todos não merecem difundir suas idéias e ameaçar o sistema vigente, merecem a morte. No final da história, as pessoas que viveram naquela época fizeram aquele alguém morrer em uma cruz, mataram um excelente filósofo da vida, que só queria ajudar a todos, sem esperar nada em troca. Creio que hoje em dia só estou vivo porque ainda sou impuro demais, não tenho peito para sair por aí, defendendo os outros, e arrumando briga com egoístas que não querem repartir o que têm. Sim, sou covarde. Ainda sou egoísta e individualista, embora eu esteja tentando me redimir. Por sorte, minha avareza é quase inexistente. Sempre penso no filósofo que citei, aquele que mataram. Ele sabia o que falava, e eu concordo com ele. O cara nunca falou em escolas fúteis, empresas ou dinheiro, mas falava de paz, amor, harmonia e bem-estar entre todos os homens. Se eu fosse Lúcifer, estaria bastante contente em ver como o mundo está hoje, horrível. Aliás, nem sei por que ter medo de ir para o inferno, se já vivemos em um. Talvez aqui mesmo seja o inferno, um mundo onde somos testados, onde nossa bondade e caráter é posto à prova, e possamos refletir sobre quem somos e o que fazemos. São tantas idéias... Tanto que se pode fazer e eu, inútil e acanhado, nada posso fazer. Quem sabe, um dia eu possa casar, ter filhos e ensiná-los bons valores (tomara que eu consiga)... E quem sabe eles possam ensiná-los aos amigos, os amigos aos pais, os pais aos conhecidos e espalha-se um feixe de bons ensinamentos. Quem sabe, um dia todos possamos viver felizes.

Escrevi muita merda? Opinem nos comentários, se quiserem. Bem, parabéns ao Luís Inácio por vencer as eleições. Espero que ele amenize um pouco os problemas de quem passa por necessidades. Espero também que as pessoas entendam que não é o presidente o culpado pelos problemas de uma sociedade, mas, sim, o homem, que desde muito vem alimentando os males com os quais, hoje, convivemos.

terça-feira, outubro 17, 2006

Eine epische reise II

Nunca mais escrevi um texto pro blog... Mas isso não significa que eu tenha um texto para hoje. Aliás, eu tô aqui, enrolando, para disfarçar que esse post é somente um aviso de que dificilmente terei assunto para postar.

Bom, o que posso escrever daqui? Novidades, não tenho, continua tudo na mesma... Eu querendo terminar logo a maldita escola, arrumar menininha que me ame, tocar bem a flauta, terminar um livrinho de poesias, ter os amigos por perto e ser feliz. Sucede que diariamente vejo esses objetivos frustrados, sendo que a vida joga na minha cara que eles ainda não se realizaram, e provavelmente não se realizarão. Parece criança quando disputa algo com outra, e, quando ganha, gaba-se por meses: "Você perdeu! Lero, lero, lerooooooooo!" Assim é a vida comigo: "You failed, Zé! Vais ter aula por muito tempo, nem as mais putas das meninas te querem, tua flauta produz tortura sonora, tua poesia é desperdício de tinta e papel, teus amigos vão seguir a vida deles e te deixar, considerando tudo isso, nunca vais ser feliz. Hahahaha! Se fudeu, se fudeu!"

Assim, para ainda não jogar a toalha, desenvolvi um pequeno otimismo. Sempre fui pessimista, e, em maioria, ainda sou assim. Esse otimismo eu desenvolvi só para eu criar animação para dizer: "Não, não tá tudo fudido... Ainda tem jeito". Então, sigo um tanto otimista.

Às vezes, eu queria ser daqueles caras que não sabem das próprias habilidades, que fazem as coisas achando que são ruins, mas, no fundo, são boas. Eu queria que o fato de eu ser pouco amado (não é mal amado, é pouco amado, amado por poucos), de tocar flauta de um jeito horrível, de fazer poemas toscos e não conseguir arranjar uma namorada fossem apenas encucação minha, que realmente eu fosse bom nessas coisas, mas só eu não soubesse. Dessa forma, seria só alguém abrir meus olhos que eu veria as coisas boas que fiz. O foda é que não dá para competir com a realidade, e o que é ruim, é ruim, é pedreira. Viver de sonhos é complicado, já que nunca fui otimista o suficiente, mas é assim que vivo.

Cansado disso tudo, fui pôr minhas filosofias baratas em prática... Fui conhecer algumas mulheres, apenas conhecer, queria ver se alguma que dissesse "não, não gosto de 'pegação'. Eu queria um relacionamento sério, com alguém que me ame" poderia jogar lenha na chama da esperança amorosa que tenho. Esses tempos, eu tô falando muito disso e também refletindo. Essa promiscuidade extingue o amor verdadeiro, e começo a me desesperar quando vejo que a idéia dessa promiscuidade está demasiada difundida na atual sociedade, e, pior, possui uma quantidade assombrosa de adeptos. Deve ser muito legal para o homem evidenciar seu lado selvagem, um troglodita que só pensa em pôr seu pênis em uma vagina e nada mais, tratando a mulher como mero objeto sexual... O homem é assim, mesmo, safado e pilantra, mas... não entendo... e as mulheres? Elas não parecem reagir negativamente a isso; são poucas as que dizem: "Eu não quero uma legião de pênis passando pela minha vagina". Sempre pensei na mulher como algo meigo, que gostasse de romantismo e de homens que parecessem homens, maduros, e não um bando de selvagens que só pensam em sexo. Eu não entendo o que está acontecendo, não entendo por que as pessoas deixam-se mudar assim, tornando-se individualistas, mundanas.

Vou continuar conhecendo mulheres, vou procurar a flor que permanece forte e bela, mesmo neste inferno de impurezas, com muitas outras flores murchas. Vivo de sonhos, como um louco, alienado, mas sigo, como um juglar, ou um cavaleiro decadente, andando, tocando, trovando... Até que eu chegue em um lugar, acompanhado de minha donzela, onde as pessoas não se irritem com a felicidade dos outros, onde todos podem ser felizes, sem tanto egoísmo, sem tanto ódio, sem tantos valores distorcidos. Entretanto, para isso, eu mesmo ainda preciso muito me purificar.

É um tanto engraçado... Futuro professor de matemática que se acha cavaleiro, que procura mulher simples e amorosa, e tenta esquecer o único amor que teve, além de retratar seus distúrbios em poesia, para que saibam o quão louco ele é. Incrível é que faço tudo isso porque gosto, mesmo levando porrada da vida.

Sigam os sonhos, por mais estranhos que sejam. Se forem de índole boa, valem a pena serem realizados. Caso contrário, não tens um sonho, tens um pesadelo. Com fé, a vida marcha... É uma jornada épica.