Eine art von mich geschichte
Este post, depois de tanto tempo sem algum, é um conto ruim que eu criei sobre eu mesmo. Um conto reflexivo que ajudou a me compreender melhor. Se algo útil servir para vocês, neste conto, me avisem.
##########INÍCIO##########
Acordou às três da manhã, uma hora e meia antes do início de seu trabalho, mas não estava com sono. Sono, um sentimento de carência, carência de dormir, assim como sede é carência de água e fome é carência de comida. Caridade aos mais carentes, e sua maior carência era tanta que sua atenção não podia ser voltada às limitações da vida humana, como sono, sede e fome. Esse distanciamento da vida humana acabou transformando-o em alguém apto para o trabalho que exercia. Era uma espécie de mafioso, e eu escrevi mafioso, não aqueles bandidos que vangloriavam-se de seus vocabulários chulos e atitudes pervertidas. José, esse era o nome dele. José era o mafioso, que vestia-se em trajes finos, possuía linguajar moderado (embora não tão complexo ou erudito) e bons modos. Sentado na beira da cama, refletiu sobre sua vida medíocre e o pequeno período de tempo em que ela foi gloriosa. Era um fato sabido por ele apenas, essa mediocridade. Os seus inimigos, e até os amigos, achavam que era apenas um assassino de sangue frio, que matava pelo dinheiro, que só fazia ofício sua insensibilidade e misantropia; logo, era alguém poderoso, decidia quem viveria, quem morreria... Tinha um poder nas mãos.
Tomou um banho e foi até o local de trabalho, local escondido, mas não tão secreto. De qualquer maneira, quem ali ousaria entrar, senão os próprios trabalhadores e convidados?
- Somente mais um político? Está contra nós? Teria ele alguma honestidade imbutida?
- Não tenha falsas esperanças com os políticos, José. Este que lhe falo está contra nós porque vamos contra os interesses dele. Não há ética ou honra, só há conflito de interesses.
- Entendo... Mas por que ele te desafiou?
- Ele não me conhece... Poucos nos conhecem. Somos fortes, José! Lembre-se disso! Nosso anonimato nos lembra Deus, ninguém nos vê, mas decidimos quem vive ou morre. Minha decisão foi tomada, e o político morrerá.
- Qual o grau de dificuldade da missão?
- Desde quando temos escala de dificuldade?
- ...
- Tudo bem. Se for o seu desejo, em uma escala de 0 a 10, eu classificaria como dificuldade 9.
- Para um político?
- Ele é dos bons... Poderia até ser um de nós, se não fosse tão imprudente.
- ...
- Você está estranho, hoje... Não que seja inédito, mas noto uma progressão deste sentimento em você. Desde que o contratei, saberia que você potencializaria o poder desta organização, saberia que sua energia destruiria as barreiras que impediriam nosso triunfo, mas até das maiores pilhas um dia foge a energia... Seria isso?
- Talvez. - diz friamente, enquanto vira-se para ir embora - Já tenho tudo de que preciso, apenas posso garantir que matarei o nosso alvo, e nada mais.
- Espere! Há quatro homens para te auxiliar.
- Não preciso deles!
- Se assim for sua vontade...
Políticos, seres que deixaram o egoísmo e ganância tomarem conta de seus corações, mas não têm vergonha de admitir. Apenas disfarçam o fato para que os falsos moralistas, convencidos de que são diferentes, e estes formam o restante da sociedade, não os deponham do poder. Há um político dentro de cada um de nós, somos imperfeitos, mas só eles admitem... Infelizmente, é por terem orgulho de como são, de terem obtido sucesso material por enganarem os outros. De qualquer maneira, não os culpo. Ladrão que rouba de ladrão, tem cem anos de perdão. Apenas matarei todos, a fim de purificar o mundo. Esta é a minha missão.
Eu estava empunhando uma pistola, totalmente carregada, e há poucas dezenas de metros do político. Onde será que aprendi a fazer isto? Por que resolvi fazer isto? Certifico-me de que, depois de matá-lo, terei como lidar com seus seguranças, e revejo se a metralhadora está em ordem. Ela está. Eles fecham-se em castelos, protegidos por uma tecnologia que custou uma organização social que levou à miséria de muitos. Hoje, alguém alienado por esse êxtase tecnológico terá a vida ceifada graças à falha de um objeto desse cunho... E eu serei o ceifador.
Com que moral ajo assim? Não me lembro de ter nascido puro, ninguém nasceu, e não precisa ser puro para pregar a pureza... Mas... Eu? Considerando a intensidade de pureza que prego, eu deveria ser uma pessoa bem melhor do que eu realmente sou. Estou melhor, agora, mas longe do suficiente. Eu era bem pior antes... Eu era... Um deles. Prego o amor, mas puno com o ódio. Faz sentido? Estaria eu destruindo tudo por preferir um mundo sem vida a um mundo com ódio, ou estaria eu destruindo tudo porque o mundo não é simplesmente como eu quero? Talvez os dois, mas não nego que sou uma criança com um jogo de armar, moldando tudo como eu bem entendo.
A mão treme... Pensei nela, eu sabia! Toda vez que chego a refletir, eu lembro dela. Ela foi um anjo que me fez mudar, para melhor, para pior... Fez-me diferente. Eu, pelo menos, já era diferente deles. Aprendi a amar, sem querer ela me ensinou. Minha história com ela não foi das mais felizes, era uma história triste, ela me fez sofrer, a incompreensão para com meu amor, o destrato a mim ofertado, o desprezo... Sim, pela lógica, ela é como os outros. Depois disto, irei atrás dela. O processo de purificação não pode parar, e, ela querendo ou não, deverá abrir mão de sua vida para que o mesmo seja completado.
Eu conseguiria mesmo? Quero dizer, já tirei a vida de centenas de seres podres, sorri o prazer de matá-los, inclusive quando eu apenas planejava em como eu os mataria. Por que com ela não? Ela era tão podre quanto eles, não era? Não foi a essa conclusão que eu cheguei? A lógica vai me trair? Ou será que desassociar o amor da lógica faz com que você chegue em um raciocínio equivocado? Eu... Não consigo lembrar dela sem passar pelos momentos de felicidade extrema que só com ela eu tive, não consigo lembrar dela sem lembrar de mim mesmo, antes dela, alguém como eles, impuro totalmente, sem saber amar... Minhas reflexões, meus raciocínios, minha lucidez e minhas loucuras foi tudo fruto dela. Foi quando deixei de ser uma máquina do sistema e me tornei mais humano. Eu não conseguiria matá-la, pois estaria destruindo a semente que me deu nova vida, a vida nova que é o amor, e o amor que vence o ódio, o amor que tudo cura, o amor que destrói as mazelas da vida... Se eu recebi o dom do amor, por que o deixei morrer? É por isso que vago tentando fazer os outros deixarem os seus corações amarem? É para redimir o fato de eu ter desperdiçado o meu dom? Eu devia... Tê-lo usado melhor...
Eu já estava louco, fiquei mais. Todos aqueles pensamentos de uma vez, lembrar dela, o que ela me fez, o que fiz a ela, nossos erros, nossos acertos... Minhas falhas.
A escuridão já se dissipava no céu, que pouco a pouco tornava-se menos negro, assim como o brilho do sol logo cortaria o céu, um brilho antecedente também havia cortado-o. Era um bilho rápido, do metal que corria com o fogo, aquele calor era o mesmo do ódio triste daquele que fez a bala disparar. Disparada e corrida com o fogo, ela impregnou-se de sangue, dentro da cabeça do político. O alvo havia sido eliminado.
Instaurou-se o caos, após tudo isso. Seguranças detectaram de onde veio o tiro, e revidaram da mesma forma. Mais de cinqüenta balas voaram naquela direção, mas o homem que dali saiu só possuía dois ferimentos, ambos superficiais. A metralhadora que ele empunhava urrou da única forma que podia, de forma destrutiva, assassina, disparando um metal que atravessava a carne dos que eram atingidos. Era uma arma dos homens covardes, sem glória, que trocaram as lanças e espadas, que ainda de força física dos homens usavam, consagrando grandes guerreiros. Agora, até mesmo uma criança poderia enfrentar o mais forte dos guerreiros antigos, graças às armas covardes. E a arma covarde ofegava, com fumaça saindo pelo cano. Tudo havia terminado, e o sol banhava José, o único ali de pé, assim como havia banhado os guerreiros mitológicos que o mafioso tanto admirava, mas eles eram melhores, lutavam nem que fosse com as mãos nuas, contra os mais impiedosos e poderosos monstros. José ainda lamentou a pífia guerra dos tempos modernos, covarde e insensível, sem honra. Até mesmo sua recente batalha contra os seguranças de um político foi assim. A arma covarde de José contra as armas covardes deles. Ganhou um covarde, que não lutava com sua própria força, que não lutava com honra, que não lutava por alguém que ele amava... Não, ele não estava fazendo isso por ela.
É... Parece que isso tudo foi em vão. Não dá para mudar o mundo assim. Será que ainda tenho munição? Hum... Duas balas... Creio que é o suficiente.
Ali estava eu, deitado. Senti meu corpo dividindo-se em dois. No corpo mundano, eu sentia apenas o chão frio, e nada mais. No corpo novo, ou talvez o corpo que morava dentro do meu antigo, e talvez fosse meu corpo verdadeiro, eu sentia mãos me puxarem para baixo. Então, é assim? Eu, como mártir, ensinei-os sobre as bondades e maldades da vida, eu os ajudei, e não mereço o Céu?
Fiz uma pergunta, mas eu já sabia a resposta. Tudo o que eu ensinei era certo, mas aquela era a minha punição por ter ensinado com o ódio, e não com o amor. Eu havia de me conformar... E me purificar.
No momento, eu vou, mas voltarei. Voltarei melhor, para você, para corrigir os erros antigos, para te proteger e te amar, como nos velhos tempos felizes.
##########FIM##########
Se você leu até aqui, obrigado. :)


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