Geschichte: Verwirklichung eines Traums
Mal acabara de comer e já estava saindo de casa.
- Mas tão cedo, meu filho?
- É, mãe. Não posso perder tempo, né?
E Wilsom, com a letra eme, mesmo (a mãe viu não sei onde e achou bonito), pegou suas coisas e foi até a casa do treinador.
- E aí, garoto? Tudo em cima, hoje?
- Tudo, sim, treinador!
- Vem! Vamos começar o treinamento.
E treinaram boxe. Contam até que o treinador tinha sido campeão, quando jovem. Ele ganhou fama, mas não ganhou dinheiro. Tinha que viver ali, no subúrbio. Solteiro e sem filhos, tratava Wilsom como se fosse sua própria cria. Ambos almejavam ser campeões. Um, como treinador; o outro, como lutador.
Os equipamentos de uma época remota, que fizeram um campeão, hoje, treinam Wilsom.
- Tem talento... Tá cada vez melhor... Eu, na idade dele, não era bom assim. - pensou o treinador, consigo mesmo.
Era de segunda a sexta. Wilsom acordava, de manhã, ia pra escola, voltava, almoçava e ia pra casa do treinador. Nos fins de semana, ficava lá manhã e tarde inteiras. O garoto nunca se incomodou em ser pobre, incomodava-o era morar ali, naquele local. Wilsom já se acostumou com as balas perdidas e a ver cadáveres pelo caminho que seguia. A polícia não ligava para aquele pobre subúrbio.
- Quer bem feito, faça você, mesmo. - pensou Wilsom.
Se virasse um campeão, Wilsom tiraria dali a mãe e o treinador. Iriam para um lugar melhor. Era o segundo sonho dele, ir para um lugar melhor, junto com a mãe e o treinador. Pensou que também seria bom levar o pai, mas não era possível. Anos antes o pai fora uma das vítimas que ele costuma ver por aí.
Cinco horas da tarde. O treinador olha para o relógio e diz:
- Wilsom, meu filho. Tá tarde. Volta antes que escureça. Você sabe que o negócio por essas bandas é barra pesada.
- Sei, sim, treinador. Vou terminar, aqui.
Wilsom pára de espancar o saco de pancadas e prepara-se para sair.
- Vai com cuidado, Wilsom!
- Pode deixar, treinador.
O sol vai se pondo, e o garoto andando e apreciando aquele tom alaranjado de cores que banhavam o ambiente. Tom esse que misturava-se com outro tom, camuflando o fogo intenso que vinha de uma casinha. Se da combustão não saísse fumaça, Wilsom não perceberia o fogo que funde suas cores à luz do poente sol. Mas da combustão sai fumaça, e Wilson viu a fumaça. Viu a fumaça e correu em direção dela. Era a sua casa, ali, pegando fogo. Pensou na mãe, e apressou-se em averiguar se ela estava lá dentro. Foi impedido por três homens, mal encarados e armados.
- Se liga, moleque! Tu é filho dela, né? O chefe disse que tu ia junto se ela num pagasse antes do prazo. Já era!
Wilsom sabia que aqueles homens faziam parte dos sujos que costumavam matar as pessoas por ali. Lamentou-se da justiça dos homens, a justiça de leis, ser fraca e falha. Resolvou tomar atitude com as próprias mãos. Desferiu socos e mais socos na cara do homem que havia falado com ele, socos e mais socos, Wilsom iria matá-lo e a vingança estaria feita. A raiva destraiu o garoto. Parece que fez ele esquecer que ali eram três, e não apenas aquele quem ele estava golpeando. Os outros dois atiraram por trás, uma vez, cada um. O que estava apanhando, levantou. Atirou quatro vezes em Wilsom... Descontou a raiva de ter apanhado.
- Deixa a velha queimar! Que vão pro inferno!
De orgulho ferido, o homem ferido vai na frente, e os outros dois atrás. Wilsom está morto, a mãe também. Um sonho de Wilsom parcialmente se realizou. Agora, a mãe e ele estavam em um lugar melhor. Quase conseguiste, Wilsom, quase...
Ao saber da notícia da morte do garoto, o treinador também morreu... De suicídio.
Os três devem estar juntos, agora... Em um lugar melhor. Se os fins realmente justificarem os meios, Wilsom deve estar feliz.


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