Was ist Ausbildung?
Nunca mais eu tinha escrito um texto reflexivo pro blog. Na verdade, tudo o que escrevo é reflexivo, porque sempre faço uma tira ou conto inspirado em alguma bobagem. Talvez até os contos sem sentido também sejam assim, inspirados em algo. Esses tempos eu tava pensando sobre educação. Inventam cada definição pra isso. Já vi várias, do tipo:
- Fulano é bem educado. Não fala palavrões, nem grosserias.
- Fulano é educado na arte da música. Compõe coisas muito bonitas.
Às vezes, parece que educação é ter boas maneiras, outras vezes, parece que é ter instrução. Alguém te ensina que falar "por favor" e "obrigado" é bonito, mas não diz por quê. A educação, hoje, parece ser uma convenção: "Todo mundo tenta ser educado, logo vou ser também". O indivíduo segue o fluxo da maré. Sorte dele que é a educação é coisa boa, porque, se não fosse, ele estaria seguindo a maré sem questionar. Quando se faz algo bom, deve-se ter em mente o que é esse algo, por que estou fazendo e como irá ajudar. É a trindade do conhecimento, intenção e finalidade. O fato da educação ser considerada uma virtude ajuda muito a seguirem-na cegamente, e quando você segue cegamente, quebra a trindade, porque não tem conhecimento do que é, o faz com as erradas intenções e acaba não obtendo tanto êxito na finalidade como deveria. Melhor explicando, como consideram a educação como virtude, e o ser humano parece ter um ego faminto, cheio de orgulho, vai querer ter essa qualidade, também. Infelizmente, não porque ele irá melhorar com ela, mas para tornar-se "mais perfeito", para ter com o que alimentar o ego. Foi assim, na Idade Média, que os nobres inventaram algo que até hoje é associada à educação, a etiqueta. Querendo serem melhores que a plebe, e querendo fazer a plebe acreditar nisso, os nobres passaram a ter um padrão de comportamento que só dizia respeito a "seres superiores", cuja definição de "seres superiores" era feita pelos próprios nobres. As regras desse padrão de comportamento eu não sei todas, sei algumas, como não comer com as mãos, ter postura correta ao sentar na mesa, saber qual talher usar para cada alimento... Ou seja, coisas fúteis. Algumas dessas regras até que têm relação com a higiene, mas não foram criadas com esse intuito. É até sacanagem exigir que um pobre coma de talher e postura ereta, quando ele não tem comida, mesa ou sequer o talher. Embora os nobres julgassem a si como superiores por terem etiqueta, a maioria deles era muito mais impura que a plebe, pois possuiam ganância e soberba desenvolvidos a um nível exorbitante. Também nunca vi os outros animais comerem de garfo e faca, assim como também nunca vi eles destruirem o mundo tanto quanto os homens fazem. Um ser superior destruiria o mundo em que ele mesmo vive? Acho que não. Não estou dizendo que "garfo e faca" profanam a boa vontade do homem, se alguém interpretou assim, mas, com certeza, a etiqueta não traz nada ao homem, a não ser o cunho elitista desse padrão de comportamento, que era subjulgar mais ainda os oprimidos fazendo-os pensar serem inferiores.
Certo, certo... Mas por que dizer "obrigado" e "por favor"? São palavras mágicas? Acho que não, porque, em inglês, são ditas "thanks" e "please", respectivamente, e possuem o mesmo significado. Aí está! O significado! Não é algo literal, como o significado de "quadrado", que é um "polígono regular de quatro lados". Falo de um significado maior. Quando digo "obrigado" a alguém, estou expressando minha gratidão à pessoa. Se você realmente sentir-se grato a alguém, diga "obrigado". Faz bem a você, por mostrar que você tem gratidão, faz bem a quem ouve, por mostrar que você apreciou o que ela te fez. "Por favor" significa que você pede algo não como ordem, mas respeitando a vontade que a pessoa tem de fazer ou não o que você pede. Também representa que você gostaria da ajuda daquela pessoa, no momento. Pode ser favor pequeno, ou favor grande, mas um "por favor" mostra que você respeita a quem o favor foi pedido.
A educação seria uma forma de harmonizar as pessoas, uma forma de melhor tratar uns aos outros. Toco mal minha flauta, e o vizinho não gosta. Os cachorros do vizinho latem, e eu não gosto. Nunca reclamei dos cachorros, e ele nunca reclamou da flauta. No momento, não estamos sendo educados, estamos nos aturando. Um dia, quando eu perceber que é da natureza dele ter os cachorros (e da natureza dos bichos latir), assim como ele perceber que é da minha natureza querer tocar flauta, além de ambos percebermos que tudo isso é banal e faz parte da vida, nos harmonizaremos. Viveremos juntos ao som de notas musicais e latidos, sem nos preocuparmos, faz parte da vida, faz parte da educação.


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