domingo, fevereiro 11, 2007

Geschichte: Hagel zu den Mißverständnissen

- Chiquinho, vem cá! Papai trouxe algo pra você.
- O que é, pai?
- Ah, é uma coisa que você vinha me pedindo há muito tempo.
- Não vai me dizer que é...
- Sim, filhão. É o seu videogame - diz entregando um embrulho nas mãos do filho.
- Que alegria! Que alegria! Finalmente, chegou! Chegou o meu Playstation!

Chiquinho tira o papel de presente que envolvia a caixa e lê o que havia escrito nela: Pleisteition.

- Pai... Que troço é esse?
- É um Pleisteition, oras. Não foi o que você me pediu?
- Pai, eu pedi um Playstation!
- E qual a diferença?
- Tudo! Desde o nome até os jogos! Aqui na caixa tá dizendo que só funciona jogo de Atari.
- Ah, Chiquinho... Disso tudo eu não entendo. Fica com o videogame que é melhor do que não ganhar nada.

O garoto ficou meio emburrado pelo mal-entendido, mas acabou ficando com o videogame. Ele sabia que o pai não era rico, não tinha como ter algo melhor. Ligou o aparelho na televisão e começou a brincar, quando Sidney, o vizinho rico, passou pela janela da casa do menino e perguntou:

- O que é isso aí, Chiquinho?
- É o meu Pleisteition.
- O que, rapaz?
- Meu Pleisteition.
- Hahahahahahahahahahahahaha!!!!! Tá falando sério?
- Tô, Sidney! Vai me deixar jogar em paz ou não?
- Vou, sim. Errr... Espera um pouco que já volto.

Chiquinho voltou a brincar com seu novo brinquedo, mas, quinze minutos depois, Sidney volta a aparecer na janela. Dessa vez, trazia uns dez garotos consigo.

- Olha lá o videogame do Chiquinho, pessoal. É um Pleisteition. Olha a mixaria! Os jogos não têm nem mais de 32 cores!
- Hahahahahahahahahaha!!!!! - riam os outros garotos.

Chiquinho espumou de raiva, e prometeu:

- Um dia, vocês ainda vão se ajoelhar diante do meu videogame!

Uma semana depois, o presidente dos Estados Unidos George Walker Bush anunciava em rede televisiva mundial: "Os Estados Unidos entraram em guerra com o Brasil, pelo controle da Amazônia". A partir daquele momento, todos os laços comerciais do Brasil com os outros países foram cortados. As importações de tecnologia pararam, e todos os eletrodomésticos de entretenimento foram confiscados para que suas peças pudessem servir de apoio na produção bélica. Um dia, os confiscadores chegaram na casa de Chiquinho.

- O que é isso aí, garoto?
- É um Pleisteition.
- O quê?
- Um Pleisteition.
- E essa televisão aí?
- É uma CCE, de dezenove polegadas.
- Puta merda... Vou nem levar esses lixos, pra não envergonhar o setor bélico do país. Melhor irmos pra outra casa.

Chiquinho ficou com o seu videogame, diferente dos outros garotos da rua, que por serem mais abastados, tiveram seus renomados videogames confiscados.

Desde então, Chiquinho vinha sendo o magnata do entretenimento tecnológico, subjulgando todos os outros garotos da rua, e todos os adultos que vinham implorar para assistir novelas ou jogos de futebol, em sua casa.

Em pouco tempo, a fama de Chiquinho se espalhou, e muitas pessoas queriam ser como ele. Quando o Governo soube do garoto e de sua habilidade para impressionar a massa, logo tornaram-no ministro do lazer.

Como ministro, Chiquinho inspirou todos os homens e mulheres a lutarem para reaver a tecnologia, insuflando neles um sentimento de nacionalismo e força de vontade. Motivados, engrossaram o exército brasileiro, e tiveram grandes êxitos na guerra, sagrando-se vencedores.

Os Estados Unidos tornaram-se uma colônia brasileira, e Chiquinho a administrava. O país que outrora era chamado de "o mais poderoso" sucumbia diante de Chiquinho, assim como os garotos que um dia riram dele.

O Brasil tornou-se forte e respeitado, todos os outros países voltaram a fornecer tecnologia a ele. Nunca mais houve outra crise no país. Viva o Chiquinho, viva o Pleisteition!