Geschichte: Rauch der Freiheit
Jorge estava fazendo compras no supermercado, quando encontrou um amigo.
- Monteiro! Você por aqui?
- É, amigo. Mas não vá se acostumando. Só estou aqui porque minha mulher adoeceu e tive de fazer o supermercado, esta semana. E você? Por que está aqui?
- Eu sempre faço o supermercado, Monteiro.
- Não diga, Jorge. E sua mulher, o que faz?
- Errr... Bem...
- Jorge, andei sabendo que é você quem cozinha, você quem lava, você quem faz as compras, você quem trabalha... O que aquela mulher faz?
- Bom...
- Olha, Jorge, nem invente desculpa. Pra mim, ela te fez de escravo. O que é isso, meu amigo? Toma uma atitude! Procura liberdade!
Jorge voltou pra casa pensando nas palavras do amigo. Refletiu sobre elas diversas vezes. Será que ele era mesmo um escravo de sua mulher? Assim que chegou em casa, ela avisou a ele:
- Jorge, sairei com minhas amigas. Faça o almoço. Hoje eu quero filé mignom.
- Filé mignom eu esqueci de comprar...
- Porra, Jorge! O que você tem na cabeça?
- Será que você não poderia ir comprar, quando for sair?
- É o jeito, né? Tenho que ajeitar todas as tuas falhas, seu imprestável!
A mulher saiu e Jorge foi fazer a faxina da casa. Refletiu mais ainda.
- A maneira como ela me trata... Não é como uma mulher deve tratar o marido...
Limpou todos os cômodos da casa e esperou a mulher voltar, trazendo a carne para ele preparar o almoço. Alguns minutos depois, ela chegou.
- Trouxe a carne?
- Ah... Almocei no shopping, mesmo. Ia demorar muito eu esperar você fazer.
- Mas eu estava esperando a carne pra almoçar! Você disse que queria almoçar filé mignom! Então, eu não fiz nada, achando que você traria a carne e almoçaríamos isso! Fiquei esperando um tempão, faminto, pra você chegar e dizer que não trouxe a carne?
- Jorge, não me torra a paciência, entendeu? Vai passar a roupa!
Espumando de raiva, o homem foi até a cozinha e pegou uma faca afiadíssima. Avançou na mulher.
Pouco tempo depois, Jorge percebeu que resolveu dois problemas num piscar de olhos. Em primeiro lugar, ele conseguiu a carne, embora não fosse bovina. Em segundo lugar, ele conseguiu o que Monteiro lhe havia sugerido: A liberdade.
No dia seguinte, a fumaça fluía do quintal de Jorge. O vizinho olhou pelo muro e viu uma enorme fogueira acesa.
- O que é esse fogo todo, compadre?
- Ah... É só um lixo... Que por muito tempo atrapalhou minha vida, mas nunca tive coragem de limpá-lo... Até hoje.
- Faz bem limpeza, não é?
- Sim. Limpa até a alma.
A fumaça continuava a correr livre, pelo céu, assim como Jorge correrá, de hoje em diante.


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