Geschichte: Das vieldeutige
Osmar era filho de pacisfista. Seu pai sempre fora fã de Gandhi, e acreditava que as pessoas deveriam protestar contra as coisas erradas, mas sem um mínimo violência sequer. O protesto pacífico, segundo ele, era uma forma de resolver problemas com inteligência e bom senso, ao invés de utilizar a agressividade, algo que ele abominava. Morreu acreditando seguindo esse caminho, e o mesmo caminho Osmar escolheu. Sempre admirou o pai, suas idéias e sua perseverança. Queria ser como o seu progenitor.
Osmar foi crescendo e tornando-se cada vez mais um pacifista, mas nunca julgou-se aos pés do pai. Por isso, preocupava-se constantemente em participar de alguma manifestação política que não houvesse violência, além de disseminar a paz nas idéias e ideologias das pessoas. Osmar, com tanta atuação ativista e pacífica, havia tornado-se melhor que o pai. Todos percebiam, menos o próprio Osmar.
Visando tornar-se melhor, envolvia-se até nas mais minúsculas brigas. Seja um casal discutindo, ou uma dona-de-casa enxotando um cachorro para fora da cozinha. Lá estava Osmar, para pregar a paz e o amor ao próximo. A partir daí, os que moravam próximos a Osmar começaram a evitá-lo. O viam como alguém incoveniente, e para impedir que ele voltasse a incomodá-los, pararam com suas brigas. A rua ficou pacífica demais. A falta de confusões começou a incomodar Osmar, que não tinha mais como exercer sua função. Passou a procurar incessantemente uma briga, pela cidade. Encontrou em um bar. Um sujeito ameaçava outro, munido de um gargalo de garrafa cortado.
- Trapaceou na sinuca, né, filho da puta? Pensa que num vi tua mão empurrando a bola pra caçapa?
- Num fui eu, Josimar! Tu tás doido de cachaça! Tu viste coisas!
- Vai mentir pra outro, seu safado!
Osmar logo interferiu.
- Calma, calma! Não vamos brigar. Se discutirmos civilizadamente, será possível resolver as diferenças sem violência.
- Olha, o senhor me desculpe, mas a briga aqui é nossa.
Ignorando Osmar, Josimar parte para cima de seu desafeto e lhe acerta um soco no rosto.
- Parem a briga! Parem a briga! Isso não leva a lugar algum!
Josimar nem ouvia, continuava batendo no outro.
- Parem! Já disse! Parem!
Continuaram.
- Já chega!
Osmar tomou o gargalo da mão de Josimar, e enterrou na garganta dele. Tirou e enterrou novamente. O sangue espirrava em grande quantidade, e todos que viram a cena sabiam que era tarde para Josimar. Osmar, então, levantou-se e gritou:
- Odeio pessoas violentas, odeio a violência! Os violentos devem morrer!
E esta foi a história de Osmar, assim como a de muitos outros pacifistas.


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