sexta-feira, março 02, 2007

Geschichte: Geisteskranke Liebe

Leandro era botânico autodidata, nunca cursou uma faculdade, nem escola referente à botânica. Ele dizia que somente com "amor às plantas" era possível entendê-las por completo, e, por isso, repugnava aqueles que só tinham conhecimento adquirido por livros e aulas. Para ele, eram pessoas que só usavam as plantas a fim de fazer carreira, a fim de enriquecer às custas delas.

- Mas eu não sou assim, como eles... Eu amo vocês. Logo, eu vou voltar... Não se preocupem. - dizia Leandro, enquanto abraçava e beijava as várias plantas no quintal de sua casa.

O homem pegou uma mochila e saiu de casa. Foi ao cais do porto, onde o barco lhe esperava.

- Leandro, não estrague essa viagem com esse seu "amor" pelas plantas. Vem um pessoal universitário conosco. Dê a eles liberdade de estudo.
- Nem prometo nada, Miguel... Mas já vou avisando: Se eles machucarem as plantas, não sairá barato.
- Leandro, te controla! Pareces um louco! Porra! Deixa o pessoal fazer a pesquisa! A gente vai ganhar bem por isso, será que não entendes?
- Está bem, está bem! Vou tentar me controlar! Agora, pára de ficar me irritando! Espero que esses sujeitinhos paguem bem, mesmo.
- E vão pagar, Leandro... Já disse que vão.

Um grupo de cinco universitários logo chegou, e o barco partiu com eles, Leandro e Miguel.

Durante a viagem, o grupo de alunos discutia o planejamento do estudo, quando um deles virou-se para Leandro e perguntou:

- Senhor Leandro, ouvi dizer que você é exímio em botânica. Você poderia nos ajudar com nosso planejamento?
- Ajudar... Vocês?
- Sim.
- Vão para o inferno, bando de sanguessugas! Acham bonito o que fazem? Querem ganhar dinheiro às custas das plantas? Querem ganhar fama usando elas? Acham que elas não têm sentimentos? Vermes como vocês deveriam morrer lenta e doloramente! - gritou.

Atraído pelo barulho dos gritos, Miguel aparece.

- Porra, Leandro! Não me disseste que ias te controlar? Já disse pra ficar quieto! A gente já tá chegando, não estraga tudo!

Alguns minutos depois, o barco chega a uma ilha repleta de plantas exóticas. Depois de alguma andança, o grupo de estudantes chega a uma planta estranha e espinhosa.

- Será que essa é...
- Sim! É como está nos livros! Uma das plantas mais venenosas da face da Terra!
- Vamos tirar alguns espinhos dela. É onde está guardado o veneno. Precisamos saber a composição dele.

Leandro vê de longe os universitários tirando os espinhos da planta.

- Desgraçados! Não machuquem a Anastácia! - berrou.

Correu até eles, sacou o punhal do bolso e desferiu incontáveis punhaladas nos estudantes, até que todos estivessem imóveis e ensanguentados, no chão. Depois, correu em direção à planta e lhe deu um longo abraço.

- Pronto, querida. Ninguém mais vai te machucar. Já passou, já passou.

Foi quando percebeu que havia sido ferido pelos espinhos, com o abraço. O veneno já corria livre, pelo corpo de Leandro. Ele começou a ficar roxo e sentir a respiração indo embora. Enquanto agonizava, olhou para a planta e disse:

- Não se preocupe, amor. Eu sei que não foi culpa sua.

Depois destas palavras, fechou os olhos.

Morreu amando as plantas, mas será que esse amor foi retribuido? Não importa. Agora, o amor doentio de Leandro já havia tragado-o para as entranhas da terra, de onde as plantas sugam nutrientes para crescer. E foi este o seu último ato de sacrifício por elas.