quarta-feira, março 07, 2007

Tribut-Geschichte: Der Grill

Prelúdio: Este conto é uma homenagem ao meu inexorável amigo Roberto Mister. Que foge de sua própria essência ao demonstrar caridade e postar inúmeros comentários, neste humilde blog. Que o espírito dúbio de Roberto perdure por muitos anos. Amém.

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Roberto acordou cedo, no sábado. Tinha que ir a uma confraternização, um churrasco entre amigos. Preparava-se para partir, quando lembrou do que o organizador havia dito: "Pessoal, tem que levar dez Reais para fazermos uma coleta e comprarmos carne".

- Que se foda! Eu vou assim mesmo!

Roberto pegou um ônibus e chegou em um bonito sítio.

- É aqui. Vou fingir naturalidade e ninguém vai perceber que não colaborei com quantia nenhuma.

Logo na entrada do sítio, o rapaz é impedido de prosseguir por um negão alto e forte.

- Qual o seu nome, garoto?
- Roberto. E qual o teu? Ninguém me falou que teria alguém vigiando a entrada. O que estás fazendo aqui? Tens autorização pra estar aqui?
- Me chamam de Pé-de-Mesa. Fui contratado para a segurança e outras coisas.
- Que outras coisas?
- Não tenho permissão para contar.
- Sei. Deixa eu passar, agora.
- Não posso. Na lista que tenho não consta que você contribuiu com o dinheiro da coleta. Só entra se pagar.
- Olha... Dinheiro eu não tenho. Será que eu poderia pagar com essa brilhante e afiada faca?

Roberto tira uma enorme faca de sua mochila, e esfaqueia Pé-de-Mesa diversas vezes.

- Desgraçado. Isto é para aprender a me respeitar.

Entrou no sítio e logo encontrou seus amigos, que cochichavam entre si.

- O Roberto aqui?!
- Mas ele não pagou a coleta.
- Por que o Pé-de-Mesa deixou ele entrar?
- Alguém vai lá e toma uma atitude!
- Eu não vou deixar ele comer e beber com o meu dinheiro!

Um dos amigos dirigiu-se a Roberto.

- Oi, Roberto. Tudo bom?
- É... Tudo. Por que o pessoal tá me olhando estranho?
- É que você não pagou a coleta... Todo mundo pagou. Nós havíamos combinado que somente os pagantes poderiam participar da festa.
- Ora, nunca é tarde para uma mudança de planos, não é?
- Na verdade, é tarde, sim. Sinto muito, Roberto... Vamos ter que pedir para você se retirar.
- Calma, vamos conversar. Sou muito bom em argumentos. Meus argumentos são afiados, e convencem qualquer um. Gostarias de ver?
- Hã? Por que você está tirando essa faca da mochila, Roberto?

Vinte minutos depois, ninguém mais reclamava que Roberto não havia pago o dinheiro da coleta, nem que ele poderia estar comendo e bebendo à custa dos outros. As intrigas foram solucionadas. Agora, Roberto encontrava-se degustando um prato com alcatra.

- Que carne de má qualidade. Essa alcatra está mais difícil de cortar que a carne de vocês. Não concordam, pessoal?

Ninguém respondeu. Tudo estava silêncio, e não havia animação alguma na festa.

- Tédio. Melhor voltar pra casa.

Roberto pega três garrafas de vodka que estavam por ali e bota em sua mochila. Antes de sair do sítio, dá mais uma olhada panorâmica no ambiente e em sua quietude.

- É... Próxima vez, eu deixo um ou dois vivos. Só pra ter com quem conversar.