Geschichte: Er und sie
Ela estava olhando para a janela, não pela janela, mas para a própria janela; a moldura, o vidro, e as gotas de chuvas ali pregadas. Ele entrou pela porta. Haviam se conhecido muito tempo atrás, conversado pela primeira vez muito tempo depois, mas em pouco tempo ela entristeceu a vida dele. Ela não se espantou por ele estar ali, e ele se espantou por ela não ter se espantado. Será que ela sabia? Se sabia, por que não faz nada? Por que não tenta se defender? Ele puxou a arma, ela não fez nada. O desconforto tomava conta dele. Queria vingança, e que vingança insossa é essa, onde a vítima nem sequer mostra emoção? Talvez, ela soubesse do seu erro, da vida que levava... Por isso, achou conveniente que tudo terminasse ali. O rapaz achava-se justiceiro, queria mudar o mundo, eliminar as pessoas ruins... Mesmo que ele se tornasse uma delas. Pensou se ela não estaria arrependida, se haveria outra chance. Viram-se em um filme. Não existe o pensar, apenas seguir o roteiro. Apesar de ambos sentirem-se desconfortáveis, tinham que cumprir suas funções; ela morreria sem resistência, e ele mataria sem vontade. Olhou para o rosto dela pela última vez, das tantas vezes que ele ficou tanto tempo olhando tanto. E tocou na face dela, pela primeira vez. Estava fria, antes mesmo da morte. Já não tinha aquele calor de quando se conheceram. Ele deu o primeiro e último beijo nos lábios da garota, pediu perdão por erros passados e presentes, e só então atirou. Enfim, ela havia morrido. Ele saiu do lugar, chorando... Sabia que não tinha mais nada na vida... O amor havia sido destruído.


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