sábado, maio 05, 2007

Geschichte: Fliegensaucer

Francisco chegou cansado do roçado. Entrou na casa e encontrou apenas a mulher.

- Cadê o Bastiãozinho, muié?
- Num sei. Ele num tava lá pelo roçado?
- Tava não. Cabei de vim de lá.
- Intão onde será que esse minino se meteu?
- Eu tô ficando precupardo co essa história... Vou lá procurá o minino.

Francisco sai da casa e dá mais uma procurada na roçado. Vê Sebastião parado, atônito.

- Ô, minino! Pruque ocê num avisô sua mãe que vinha pra cá?
- ...
- Ô, minino! Responde!
- Ah... Pai...
- Que ocê tem, Bastiãozinho? Tá istranho.
- Eu vi um disco, pai... Ele veio de riba do céu... Saíro uns bicho cabeçudo... Eles dissero pra nóis ir embora daqui... Eles vão queimá tudo...
- Bastiãozinho, ocê tá co febre? Tá co delírio?
- Pai, num tô! Eu vi os homezinho cabeçudo que dissero que ia fazê isso!
- Óia, filho... Eu sei que ocê inda é criança e imagina as coisa... Mas num é bonito ficá mintindo por aí.
- Num tô mentindo, pai! Os bicho vão queimá tudo! Vamo pegá a mãe e ir embora!
- Já chega, Bastiãozinho! Vamo pra casa! E nem mais uma palavra disso!
- Mas, pai...
- Num discute co eu, minino! Ou ocê vai levá surra!

Sem acreditar no filho, Francisco arrastou a criança de volta para casa. Naquela noite, o menino não conseguiu dormir. Tinha pesadelos mesmo acordado, gritava, gritava.

- Tão vindo! Tão vindo!
- Calaboca e dorme, minino!

E vieram. O homem não conhece como aconteceu. Talvez possa dizer o que aconteceu, mas não como aconteceu. Aquele povo está muito à nossa frente... E bastou aquela luz para tacar fogo em tudo. Não foi um incêndio, cujas chamas expandem-se... Foi algo breve, simples. Foi como um pincel molhado de vermelho, que rapidamente riscou uma tela... Um raio. Somente aquela área avermelhada, depois mais nada. Não tinha mais roçado, não tinha mais casa, nem Francisco, nem mulher, nem Sebastião.

Os homens fazem-se céticos em busca da razão, mas de tanta razão, ficam cegos e abraçam a insensatez.