sábado, junho 30, 2007

Reflexão filosófica

Estou há tempos sem atualizar o blog, é verdade. Acabei de ficar de férias, e já tive que resolver vários problemas que a maioridade exige, em termos de documentação burocrática. Fiquei cansado e sem inspiração, então, vamos tentar refletir e debater sobre algo importante, ao invés de contar mais um conto.

Primeiramente, o que vem a ser "gordura trans"? O que diz respeito a este ser? Parece mágica, ou uma epidemia. Um mês após sair o primeiro produto com a inscrição "0% gordura trans", todos os outros também tiveram a mesma inscrição, em suas embalagens. O negócio parece ser potente e poderoso, e bastante maligno, já que ninguém o quer por perto. Praticamente, o medo desse elemento é tanto que alguém prefere comprar um biscoito da marca "veneno de rato" a um biscoito da marca "bauducco", caso o primeiro não tenha gordura trans e o segundo tenha. Talvez essa tal de gordura trans seja o anticristo que a bíblia fala, já que todos têm medo dela... Não, dizem que até o anticristo conseguiria arrancar simpatia dos outros... De vários, aliás. Essa gordura trans, então, deve ser pior que o próprio Lúcifer, deve ser a encarnação do mal em substância. Logo, ela se alastrará a todas as vertentes de consumo. É questão de tempo até vermos: "Novo Gol Flex 2.0, funciona a álcool e gasolina, e possui 0% de gordura trans". Depois, se estenderá até anúncios amorosos: "Sou loiro, bonito, tenho olhos azuis e 0% de gordura trans". Por fim, serão criados vários campos de concentração, para pessoas que tenham ingerido gordura trans e estejam, portanto, dominadas pelo mal. Nesses campos, as pessoas serão carbonizadas, no maior estilo "santa inquisição", para que suas almas sejam purificadas da gordura maldita. Usaremos roupas especiais, como as dos astronautas, para impedir que a gordura trans possa penetrar pelos poros de nossa pele e difundir o mal em nosso organismo. No entanto, se considerarmos que somente agora os produtos pararam de utilizar gordura trans, perceberemos que, anteriormente, eles utilizavam, e nós ingeríamos. Bom, cá estamos, vivos pra contar história, com muitos resquícios de gordura trans no nosso organismo.

Faz sentido dizer que a humanidade cria seus próprios medos e sinas, e que não há ninguém nos oprimindo, além do próprio homem. É a paranóia de alguém difundida pelos meios de comunicação que deixam os outros homens malucos, loucos de medo ávidos por estarem seguros de algo com o qual conviveram a vida toda e estão vivos até hoje. Lembrei até daqueles famosos Siegfried e Roy, que faziam performances em Las Vegas com tigres brancos adultos. Roy vivia com esses tigres desde que eles nasciam, dormindo na cama com eles. Enquanto a maioria das pessoas morre de medo de tigres brancos, Roy achava-os dóceis e nunca teve problemas com eles. Um dia, numa apresentação, um tigre branco atacou Roy, e o deixou em péssimo estado. O motivo do ataque ninguém sabe, mas ninguém pode dar certeza que o tigre o fez por pura maldade. Roy até pediu para não matarem o tigre. Com o passar dos anos, Roy recuperou-se e não tem raiva dos tigres, enquanto a maioria gritava "queima o tigre na fogueira! Queima! Queima!". Ou seja, durante grande parte de sua vida, Roy mostrou que os tigres poderiam ser dóceis. Teve sucesso vááááárias vezes. Por causa de um erro inexplicado, tudo foi por água abaixo. O mesmo vale para o caso analisado aqui. Durante anos convivemos com a tal gordura trans, por causa de um ou outro que tiveram complicações decorrente dessa gordura, todo mundo criou um alarde geral e um padrão de exigência digno de um rei, como se todo mundo pudesse sequer ter o que comer, todos os dias. Enfim, o crime organizado mata em 1 dia mais do que a gordura trans vai matar em 1 ano. Se querem ter medo, tenham medo de algo mais preocupante, pelo menos. Nutricionista é uma raça que não consigo dar importância, sinceramente.
 

sexta-feira, junho 22, 2007

Unglück

Às vezes, eu gosto de filosofar, fazer uma reflexão. Daí eu tiro muitas idéias boas, mas nem sempre isso ocorre. Da última vez, refleti profundamente sobre a McLaren deste ano. Tá bem legal o carro, e aquele tal de Hamilton é um bom piloto. Justo quando o Felipe Massa ia vir com tudo, nessa temporada, a McLaren vem com um carrão e dois pilotos fodas. Aí complica. Ayrton Senna era bonzão, mas morreu num acidente com o carro de corrida... Azar. Agora é o Felipe Massa tendo azar. Tá com um carro inferior, vai ter que suar a camisa pra vencer a McLaren. É a vida. Muitos outros pilotos, brasileiros ou não, já tiveram azar. Todos têm azar, desde o início dos tempos. Adão teve o azar de comer a maçã, e Eva teve o azar de ser tapeada. Roma teve o azar de ver seu império cair. Os judeus tiveram o azar de sofrer o holocausto. Todos têm azar. O importante é saber que, independente do quanto azar alguém teve, nunca ninguém será tão azarado quanto Rubens Barrichello. Toda vez que dificuldades surgirem em sua vida, levante a cabeça e diga: "Pelo menos, estou melhor que o Rubinho". E a vida segue assim, com Rubens Barrichello existindo para nos mostrar que as coisas sempre poderiam ser piores.
 

sexta-feira, junho 15, 2007

Geschichte: Intelligente rache

Sérgio queria ser um grande musicista, assim como Mozart. Desde criança, era fã do compositor, e sonhava com o dia em que criaria as mais belas partituras. O garoto cresceu, e compôs sua primeira obra. Os críticos de música erudita, bastante arrogantes, riram e ridicularizaram o trabalho de Sérgio, deixando o rapaz bastante desmoralizado. Com o coração partido, resolve mudar de estilo e abraçar o "pancadão". Sérgio tornou-se o mais influente compositor do "funk carioca", e todos os dias torturava os críticos que o desmoralizaram, com vários "tchuchucas", "vem aqui com o seu Tigrão" e "vai Lacraia". Não importa onde os críticos se escondessem, sempre eram torturados pelas músicas dissonantes e grosseiras. Loucos, acabaram cometendo suicídio. Não se ridiculariza um talento iniciante em potencial. Sérgio sabia disso, e por ter seu sonho destruído, só descansou ao ver os cadáveres de seus carrascos. Agora, tudo estava resolvido, e Sérgio trabalhava em sua nova obra "Vida no morro em ré bemol", que seria o marco da música erudita mais chula de todos os tempos.
 

quinta-feira, junho 14, 2007

Geschichte: Krankes narcissist

Sentia-se sexualmente excitado ao ver sua própria imagem. Guilherme havia desenvolvido uma tara bastante estranha. Sendo um homem de negócios, ninguém poderia saber disso. Entretanto, estava ficando difícil. Guilherme não mais se excitava com sua esposa, nem com qualquer outra mulher... Somente com sua própria imagem. Era um caso gravíssimo de narcisismo.

- Doutor, o que eu faço??? Por favor, me dê uma ajuda! Minha mulher vai desconfiar, ela sabe que deve haver um motivo para eu não me excitar por ela... Vão acabar descobrindo.
- Calma, Guilherme! Por que você não põe um espelho no teto do quarto, acima da cama? Assim, você transa olhando para o espelho, para sua própria imagem, e tudo estará normal. Depois, você apenas inventa para a sua esposa que sente-se excitado em transar com diversos ângulos de visão.
- Pode funcionar, doutor... Pode funcionar... Obrigado.

Guilherme providencia o tal espelho, e volta a ter uma ereção, ao transar com a mulher. Mas o tempo vai passando e a mulher não entende por que o marido só aceita transar olhando para o tal espelho.

- Guilherme, o que está acontecendo? Aquele espelho...
- De novo com essa conversa, meu bem? Eu já não lhe disse que o espelho é para me possibilitar vários ângulos de visão.
- Mas não entendo... Não entendo... A não ser que... É isso... Acho que descobri!

O sangue de Guilherme gela. Seu segredo foi descoberto.

- Você possui outra, não é? Por isso não consegue transar olhando para meu rosto. Usa o espelho como desculpa. Transa comigo imaginando o corpo dela, não é isso?

Ufa. Ela não havia descoberto. Mas Guilherme não poderia deixar mais pistas.

- Não tenho outra mulher. Aliás, em breve, nem mais mulher terei. Não darei mais chances para você desvendar meus segredos, Sandra. Este assunto morre aqui, hoje.

Ele pega a pistola que carrega consigo para defesa pessoal. Atira três vezes contra a mulher. Ainda é pouco. O psicólogo sabia do segredo, e ele também precisa ser eliminado. Guilherme repetiu o procedimento, aniquilando a última testemunha.

- Agora, será só eu e mim mesmo.

Guilherme masturba-se olhando a própria imagem no espelho, enquanto sente os prazeres vindos de sua mente doentia.
 

terça-feira, junho 12, 2007

Geschichte: Haß von dort, Haß von hier

Marcos adorava estudar computação. Na universidade, cursava o terceiro ano de ciência da computação. Os professores sempre diziam que o rapaz estava bastante avançado, com uma capacidade maior que muita gente já formada no curso. Todos esses elogios alimentavam o sonho de Marcos, que era se tornar um dos maiores programadores de todos os tempos.

- Um dia, ainda realizo meu sonho, professor.
- É, mas tens que encontrar um bom lugar pra se especializar, ganhar mais experiência, conhecimento...
- O Japão parece ser um ótimo país pra isso.
- É... De fato, o conhecimento tecnológico é muito avançado por lá.
- O senhor acha que tenho chances por lá?
- Marcos, nunca tive um aluno tão capacitado como tu. Ia ser muita idiotisse dos japoneses não te aceitarem.

Marcos estava bastante decidido. Ao término daquele ano letivo, iria viajar para o Japão.

O tempo passou, e assim Marcos fez. Chegou a uma das maiores empresas de computação do Japão, e participou de um exame de habilidades.

- E então, o que achou dos meus conhecimentos, Sr. Matsuyama?
- Bom, bom. Muito bom.
- Então, tenho chances?
- Hihihihi... Brasileiro com parafuso a menos, né.
- Como?
- Brasileiro ser muito bom, mas japonês "no" dá vaga de trabalho pra brasileiro. Trabalho de japonês é pra japonês. Brasileiro aqui faz trabalho de braço. Hihihihihi.
- Quer dizer que não vou ser aceito por pura xenofobia?
- Brasileiro ser mente fraca, "no" poder com japonês. Hihihihihi.

Marcos, bastante indignado, volta para o Brasil. No início do quarto ano letivo do seu curso, ele assassina a facadas Toshiro, o japonês da turma. Reúne-se com outros garotos e cria um grupo neo-nazista, totalmente aversos à raça oriental. O grupo ganha magnitude, e logo difunde uma idéia nacionalista por todo o país, cujo lema é "japonês tem que ser feito de peneira". Em dois meses, todos os japoneses daquele estado haviam sido erradicados. Em um ano, a erradicação extende-se a nível nacional. O setor bélico do país avançava como nunca, e a guerra era iminente. O senhor Matsuyama havia criado os piores inimigos de sua raça.
 

domingo, junho 10, 2007

Geschichte: Traurige Biographie

Henrique sempre batalhou pelo o que queria. Rapaz estudioso, bem educado, visionário e trabalhador. Dentre algumas possibilidades para sua vida, escolheu montar uma rádio. Coisa bem simples, começou com poucos ouvintes. Graças à excelente administração e trabalho árduo do rapaz, logo o número de ouvintes cresceu. Patrocinadores já olhavam para a rádio, e não demorou muito até conseguir o primeiro patrocínio. A partir daí, nada mais parava Henrique. Foi desbancando as maiores emissoras de rádio existentes no país, e logo o inevitável aconteceu: A expansão. Henrique decidiu abrir um canal de televisão. A história se repete. Assim como aconteceu na rádio, a televisão obteve sucesso total. Aproveitando a oportunidade de comunicar-se com o povo, Henrique mostrou os podres do homem, da política e tudo o que estraga o Brasil. Virou um ativista crítico, e suas idéias foram difundidas por todo o país.

Feliz terminaria essa biografia, se não fosse um indivíduo chamado Hugo Chavez. O sujeito decretou guerra ao Brasil. Lei marcial, caos instaurado. O poder político enfraquece, e o país necessita de força. Assumem os militares, nova ditadura. Vários esforços de guerra e o Brasil emerge vitorioso. Entretanto, a ditadura prevalece, e não deve haver espaço para a liberdade de expressão. Os militares voltam a atenção ao que parece ser o maior inimigo em potencial que eles poderiam ter: Henrique. A fim de evitar que o rapaz pudesse desmoralizá-los, resolveram partir para a eliminação física do mesmo, além de fechar sua rádio e seu canal de televisão. Reabriram ambos oito meses depois, sob direção militar, com o intuito de alienar toda a população brasileira e fazer propaganda positiva do governo ditatorial.
 

quarta-feira, junho 06, 2007

Geschichte: Eine andere Legende

Um tanto exausta, Athena resolveu cochilar. Foi questão de alguns minutos para sentir um certo incômodo, uma dificuldade em se mexer.

Abriu os olhos e espantou-se.

- Mas o que será isso?!

Estava envolta por uma grossa e resistente teia de aranha. Tentou soltar-se, mas foi em vão.

- Como isso pôde acontecer tão rápido, sem eu perceber? Como?

A aranha aparece.

- Eu sempre fui a mais rápida, Athena. Sempre. Eu mostrei os podres de seu pai, eu mostrei os podres dos deuses. Imaculados vocês não são, tampouco têm a moral de julgar os mortais. O que fazem não é justiça, mas abuso de poder... Poder esse que será combatido com um poder maior. Os demônios que vocês criaram voltaram para vingança... E eu sou a primeira.

A deusa é devorada pela aranha, e a teia manchada de sangue mostrava um líquido tão igual ao de qualquer outro mortal. A teia foi a inspiração no coração de todos os injustiçados pelos deuses, a inspiração para lutar por uma época de paz, sem tirania. Todos os falsos que julgavam-se deuses caíram.
 

domingo, junho 03, 2007

Geschichte: Schlechte Wahl

Em seu luxuosíssimo escritório, ele fitava, alternadamente, as pernas e o decote da secretária.

- Dona Lúcia, façamos sexo e lhe darei recompensas: Uma vida cheia de riquezas e glamour.
- O que disse, senhor?
- Sexo, dona Lúcia! Vamos fazer sexo!
- Que é isso, senhor? Assim... Tão de repente?
- Darei algum tempo para você pensar no assunto. Amanhã, espero uma resposta sua.

Lúcia foi para a casa da mãe, pedir um conselho.

- Minha filha, nunca venda sua dignidade! Consiga as coisas honestamente, pelo esforço de seu trabalho! Este é o melhor conselho que posso te dar.

No dia seguinte, ele pergunta:

- E então, dona Lúcia? O que me diz?
- Nada feito, patrão. Não posso vender minha dignidade.
- Então, sinto lhe informar, mas a senhora está demitida.

Ela tentou contactar uns advogados, dizer que foi assédio sexual... Não adiantou. Ele tinha muitos contatos, amigo de vários juízes, promotores, procuradores... Tinha influência. Desempregada, só lhe restou o emprego em um prostíbulo da cidade. Ganhava cerca de dois salários mínimos, por mês, se houvesse uma boa quantidade de programas.

De qualquer maneira, se fosse para terminar vendendo sexo, que vendesse para quem pagasse bem. Lúcia perdeu uma grande oportunidade.