quinta-feira, julho 19, 2007

Conto-homenagem: O mafioso

A irmã adoeceu. Ele olhou para o sofrimento do irmão menor, com o ocorrido. Sabia que se quisesse sobreviver em Curitiba, teria que juntar-se aos maldosos.

- Por que quer se juntar a nós?
- Minha irmã pequena está doente. Preciso de dinheiro pros remédios. Tenho pouco a perder, então não me interessa como eu consigo a grana.
- Se eu tivesse um pouco de sentimentalismo, eu apreciaria o seu sacrifício pela sua irmã... Mas não me interessa, o importante é mais um membro na família. Mas somos uma família unida, e Dom Juarez castiga severamente os seus filhos rebeldes.
- Como?
- Dom Juarez veio Paraguay, e há alguns anos iniciou sua família aqui. Ele é o nosso pai, e será o seu também. Desobedeça-o e pagará com a vida.
- Não tô aqui pra trair ninguém. Só quero um trabalho pra arrumar dinheiro.
- Vens de onde?

Ele não queria dar informações de onde realmente veio.

- Vim de Curitiba, mesmo. Nasci neste inferno.
- Então, já deve estar acostumado. Força bruta ou agilidade?
- Me saio bem com os dois.
- Potencial tanto para ladrão como para assassino.
- O que você quiser.
- Apenas me mostre uma ação que me convença.

Naquela mesma noite, ele matou dois antigos desafetos de Dom Juarez, o que chamou a atenção de todos da família para o novato.

- Parabéns! Até o pai quer falar com você. Ele parece satisfeito.

O novato entra na sala chique e bem-arrumada. Vários homens armados ali. Numa cadeira, um velho elegante fumava um charuto cubano.

- Então, Rodriguez e Sancho estão mortos?
- Sim.
- Você os matou?
- Sim.
- Hehehe... Faz algum tempo que não vejo um jovem promissor como você. Preciso de alguém habilidoso para buscar os lucros do contrabando. A polícia vai desconfiar da alta quantia monetária que vamos estar transportando... Então, precisamos de uma boa distração. Você me entende?
- Entendo.
- Gomes lhe passará as informações sobre a operação. Espero o seu sucesso.
- Obrigado pela confiança... "pai".

Quatro dias depois, a operação teve início. O novato não estava na sua posição. Nocauteou o motorista que dirigia um dos carros que continha parte do dinheiro. Fugiu para casa, buscou a irmã e o irmão. Colocou uma determinada quantia na mochila dos dois.

- Vocês vão ter que aprender a se virar sem mim. Compre os remédios da sua irmã, e partam para casa.

Deixou os irmãos na rodoviária. Não iria com eles. Sabia que seria caçado por Dom Juarez, não queria colocá-los em perigo. Acendeu um cigarro e olhava o ônibus que fazia a travessia Curitiba-Pirajú partir. Conforme os pneus do veículo se afastavam, outros pneus chegaram. Eram os homens. O novato virou para trás, tirou a arma de sua jaqueta e começou o tiroteio mortal. Seria difícil derrotar Dom Juarez, mas, se existe alguma possibilidade disso acontecer, esse feito só poderia ser atingido por um guerreiro de nascença, um nativo de Pirajú.