domingo, julho 15, 2007

Conto: Pancadão de arrependimento

Paulo era um carioca atípico, e sofria bastante com isso. Apaixonou-se por uma garota, na escola, e tentou uma aproximação. Na saída da aula, abordou a menina em uma certa parte da escola, onde quase não havia tráfego de pessoas.

- Oi, meu nome é Paulo.
- Oi.
- Reparei que tu estás ouvindo música nesse teu iPod. O que ouves?
- Ah, tô ouvindo pancadão.
- Pancadão?
- É. Pancadão. Não gosta?
- Bom, eu prefiro outros tipos de músicas... Românticas e belas como você... Gosto de Chris de Burgh. Conhece?
- Hahahahahahahahahaha!
- Que foi?
- Caraca, que vacilo! Escuta aqui, tá pensando que vai conseguir algo comigo, assim? Que cantada mais tosca!
- Mas, mas...
- Se liga, mané! Não quero nada com um molengão feito você!

Paulo sente seu coração encher-se de ódio. Tira da mochila uma faca de cozinha, daquelas grandes, e enterra na garganta da garota. Enquanto ela agoniza, Paulo, entusiasmado, começa a cantar.

- Esse é o meu lado, que ninguém sabe não, quando eu tô irritado, eu viro do pancadão. Eu quis te dar amor, mas tu num aceitou nada, ainda fez pouco de mim, por isso levou facada. Tchuchuca toma cuidado, que eu não dou mole não, eu não fico acuado, eu te ponho num caixão. Se tu só gosta de sexo, pois então tomou no cu, agora tu só vai ver, é o pênis do Belzebu. Por quê? Tchuchuca, dessa vez tu te deu mal, eu quis te dar meu amor, mas tu só queria um pau! Tchuchuca, dessa vez tu te deu mal, eu quis te dar meu amor, mas tu só queria um pau! Vai, Lacraia, vai!

Paulo foi embora rindo e cantando, enquanto a garota derramava lágrimas de arrependimento pelo seu comportamento devasso e elitista.