segunda-feira, agosto 27, 2007

Conto: MacGyver

Chiquinho vibrava com o que via na televisão.

- É isso aí! Mostra pra eles, MacGyver! Aquele bandido ali, acerta ele com o clipe! Acerta ele com o clipe! Isso! Hahahaha! Parece que eles aprenderam uma lição, MacGyver!

O programa acaba.

- O episódio de hoje foi demais! Como eu queria ser igual ao MacGyver!

Chiquinho começa a ter umas idéias erradas.

- Mas... E por que não? Eu posso ser como ele.

O garoto pega uns clipes e elásticos da gaveta do pai, um rolo de fita adesiva do armário da cozinha e alguns chicletes. Põe tudo em uma mochila e ruma para o bairro mais perigoso da cidade.

- Atenção, bandidos! MacChiquinho chegou, e vai colocar vocês todos na cadeia! Se preparem!

O menino abre a mochila e tira alguns clipes e elásticos. Gruda-os com a fita adesiva e pega o chiclete. Antes que pudesse fazer mais alguma coisa, três dúzias de balas voam em sua direção, matando-o instantaneamente.

Se você não for o MacGyver, não tente fazer coisa de MacGyver.
 

sexta-feira, agosto 24, 2007

Conto: Ficção científica

Harrison e Guetierrez estavam indo em direção ao asteróide.

- Base para Major Harrison e Cadete Guetierrez. Base para Major Harrison e Cadete Guetierrez. Vocês se aproximam do asteróide. Vamos repassar a missão.
- Entendido.
- A nave está carregada de urânio enriquecido. Uma colisão frontal com o centro do asteróide irá desviar a sua rota e a Terra estará salva.

Guetierrez pensou durante alguns segundos.

- Mas... Se fizermos isso... Vamos morrer, não é?
- ... Cadete Guetierrez, creio que este fato era previsível, quando lhe informamos da missão pela primeira vez, não concorda?
- Não! Eu tava bêbado na hora! Caralho! Vocês me enganaram, seus merdas!

Guetierrez nocauteia Harrison e assume o comando da nave.

- Se fodam, seus imbecis! - grita Guetierrez, para a base.

A nave sai da rota do asteróide, que colide com a Terra, causando uma grande explosão.

Horas depois, Harrison acorda. Guetierrez olha e para ele e pergunta:

- E então, Harrison... Será que existem garotas em Marte?
 
############################################

Post de número 100 do blog. Bajulem bastante, nos comentários.
 

domingo, agosto 19, 2007

Conto: O pé-frio

Raimundo chorava. Era mais uma derrota do Flamengo.

- Pois é, fãs do esporte. Anda complicada a situação do time rubro-negro. Acabou de assumir a última posição da tabela da série A de futebol.

A televisão foi desligada. Raimundo queria chorar em paz. Resolveu se embebedar. Ficou porre e fez a maior confusão. Foi expulso do bar, voltou para casa e vomitou por todos os cômodos. Acordou no dia seguinte, com o sol já alto.

- Cansei disso! Olha só o São Paulo! Sempre ganha! Só tem jogador bom! É isso! De hoje em diante, eu torço pro São Paulo, e o Flamengo é meu principal inimigo! Já sofri muito por causa desse fracasso de time!

A partir daí, o São Paulo começou a ter uma crise interna. Passou a perder todos os jogos seguintes, não tendo uma vitória ou empate sequer. Curiosamente, o Flamengo só alcançava vitórias, e obteve o mesmo número de pontos que o São Paulo, na tabela de classificação. Era a grande final, Flamengo contra São Paulo, em pleno Morumbi. O time paulista foi derrotado por 7x0, com o Mengão usando os jogadores reservas.

Raimundo voltou a chorar, e sabia que o problema não era com os times, mas com ele próprio. Batizou seu último copo de pinga com veneno, e parou de trazer azar para o futebol brasileiro.
 

quinta-feira, agosto 16, 2007

Conto: Por frescura

Aquela aventura nos alpes não havia sido uma boa idéia.

- Carolina... Nós... Vamos morrer?
- Não sei. Tá muito frio aqui.
- Droga! Por que nós fomos nos separar do grupo?
- Isso não importa, agora. Temos que nos manter aquecidos até o amanhecer.

A idéia vem ao rapaz.

- Carolina... E se nós nos aquecessemos com calor corporal?
- Hã?
- É a única chance. Não temos outro jeito. Vem, me abraça, vamos nos aquecer.
- Tá certo.

Os dois corpos abraçados, naquela escuridão. Um clima romântico.

- Sabe, Carolina... Eu sempre quis te dizer isso, e esse momento, embora trágico, é bem oportuno...
- O quê?
- Eu te amo, Carolina!
- Como?! Tá louco?
- Por quê?
- Você é meu amigo! Amigos não fazem essas coisas!
- Mas o que tem a ver?

Carolina sai dos braços do rapaz.

- Olha, não vou ficar perto de ti depois dessa, não. Vai que você tenta alguma coisa pervertida comigo...
- Mas, Carolina...
- Sai de perto! Sai de perto!
- Como vamos nos aquecer?
- Tô nem aí! Sai de perto!

O dia amanheceu, mas de nada adiantou. Pela frescura de Carolina, os dois morreram congelados.
 

segunda-feira, agosto 13, 2007

Conto: O satanista

Wallace, o satanista, buscava a recompensa suprema pela sua devoção.

- Vinde a mim, senhor das trevas! Eu o invoco!

Satanás aparece, em cima do pentagrama que Wallace havia desenhado.

- Meu lorde! Finalmente! Vieste me dar a sua graça!
- És tu a alma que tirou-me do meu recanto?
- Sim, meu lorde! Este sou eu!
- E o que queres?
- Vender minha alma! Em troca, só peço um bilhão de dólares.

Satanás invoca seu tridente e perfura Wallace.

- Pois tua alma não vale nem cinquenta centavos. É sempre assim, essa juventude do heavy metal não sabe o que quer da vida. Vais tomar um banho de lava no inferno, agora.

Wallace morreu pobre, e passou a eternidade sofrendo, pra deixar de ser besta.
 

sábado, agosto 11, 2007

Conto: O médico

Jorge vai visitar o paciente na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo).

- Olá. Como vai?
- Puxa, doutor... 500 Reais naquele remédio que o senhor recomendou... Foi sacrifício, viu? Ele vai me curar, mesmo?
- Não.
- Mas... então?
- Tenho parceria com o laboratório que produz o remédio. É sempre a mesma coisa. Vocês, ricos, acham que podem comprar a cura pra tudo. Então, o laboratório cria remédios feitos de açúcar e eu recomendo esses remédios a vocês, que compram. O laboratório divide o lucro comigo, não precisa se preocupar.
- Seu... seu...
- Sinto muito, você sabe demais. É hora de desligar o seu aparelho de oxigênio.
- Por favor, não!! Não!! N-não...

A familía do paciente chega.

- E então, doutor Jorge?
- Infelizmente, fizemos tudo o que podíamos. Nem o milagroso remédio de 500 Reais pôde salvá-lo. Estava na sua hora, mesmo. Que Deus o tenha.
- É uma pena, mesmo. Muito obrigado, mesmo assim, doutor. Eu sei que o senhor deu o melhor de si.
- Com toda a certeza. A vida de um paciente não tem valor.

Jorge retira-se e pega seu celular.

- Fonseca? Seguinte, tô indo aí pegar minha parte da grana. Deixa com o porteiro, que tô com pressa. Beleza, até mais.

E esta é a história de Jorge, o médico mercenário.
 

quarta-feira, agosto 08, 2007

Conto: Segundas intenções

Timóteo achou uma velha revista, dos tempos em que ainda era moço. Nesse período de aposentadoria, sem ter o que fazer, resolveu montar uma banquinha e vender a tal revista.

- Boa tarde.
- Boa tarde.
- Olhe... Não entendo muito de vendas, mas aconselho o senhor a baixar o preço dessa revista.
- E por quê?
- Bom, acho que ninguém vai comprar essa revista por mil Reais. Ela tem algo de especial?
- Acho que não... Era só uma revista de novelas que minha mãe assistia, muito tempo atrás.
- Então. Acho que ela não vale tudo isso. Vai ser difícil vender.
- Pode ser que tenhas razão... Mas vou ficar com esse preço, mesmo.
- Bom, o senhor quem sabe.

E o jovem foi embora. Com o passar do tempo, Timóteo foi ficando conhecido. Era o "homem da revista de mil Reais". Aquela banquinha de madeira, só com a revista. Todo dia estava lá, com o velho ali sentado, só saindo para comer, tomar banho e dormir. Alguns queriam até ajudar o pobre homem, comprando a revista e terminando com aquele tormento, mas... Mil Reais numa revista? É um roubo!

A banquinha durou mais dezessete anos, enquanto Timóteo esteve vivo. Morreu e não vendeu a revista. Milhares comentaram, tendo visto ou não a banca: "Coitado do velho. Mas todo dia alguém ia lá e aconselhava ele a baixar o preço. Por que será que ele nunca fez isso?". Ninguém sabia, mas Timóteo conseguiu o que queria. Jamais quis ser vendedor, só queria provar a todos ser uma pessoa irredutível.
 

sábado, agosto 04, 2007

Conto: "A inteligência supera a força"

Vitinho erguia um disco de vinil, no bar lotado.

- E foi com isso, meus amigos, com a música, que nós, intelectuais, respondemos aos trogloditas da ditadura!

Policarpo, um velho uniformizado que bebia o seu aguardente no fundo do bar, ergueu um revólver e retrucou.

- E foi com isso, meus amigos, com a violência, que nós, trogloditas, respondemos aos intelectuais da oposição!

Vitinho levou todos os seis tiros que o revólver poderia comportar. Todos que estavam presentes no recinto levantaram-se e aplaudiram Policarpo, o homem que recebeu a medalha de atirador de elite diretamente do general Costa e Silva.
 

quarta-feira, agosto 01, 2007

Conto: As Aventuras de Toshiro

- E então, Toshiro... Você gosta quando apóio meus seios volumosos na sua costa?
- Tieko?! Caralho! O que você tá fazendo aqui?
- Vim te ver. A gente podia fazer algumas coisas legais...
- Não! Não tô a fim! Deixa eu terminar de fazer isso aqui, em paz!
- Você prefere montar esse robô idiota a ficar comigo?
- Claro, pô! Montar robô... Eu sinto que tá no meu sangue, entende? É compulsão. Eu tenho que montar robô!
- ...
- Err... Além do mais, você é minha prima. Não vai rolar.
- Ai, Toshiro! Você me dá nos nervos!

Tieko sai enfurecida do quarto de Toshiro. Encontra dona Toshirette, mãe do rapaz.

- E então, minha filha? Teve sorte?
- Ah, que nada. Tô começando a achar que o Toshiro é gay.
- Não, não... Não pense isso, minha filha. Meu filhinho só é muito tímido.
- Ai, eu tô cansada de levar fora dele. Mulher bonita feito eu tem o ego agredido, quando leva fora.
- Não desiste, por favor. Você é a única menina que fala com ele. Não tenho ninguém mais pra pedir esse favor.
- Tá, tá... Eu tento de novo.

Tieko volta para o quarto de Toshiro.

- Acabou, seu nerd!
- Hã? Tieko?! Vá se fuder, porra. Já te mandei cair fora daqui.
- Vou me fuder é contigo, seu panaca. Não saio daqui enquanto eu não arrancar tua virgindade.

Tieko agarra Toshiro e o joga na cama.

- Pelo amor de Zico, Tieko! O que você tá fazendo?
- Vendo se dou um jeito em ti, Toshiro. Você é praticamente um caso perdido.
- Que merda! Eu não vou deixar você me estuprar! SOCORRO! SOCORRO!
- Ai... O que a gente não faz pela família...

Tieko tira as calças do rapaz. Decepção.

- Francamente, Toshiro... Com 21 anos e teu pênis é desse tamanhozinho?
- E daí? Precisava ser maior? Só uso ele pra fazer xixi, mesmo... E pra testar umas coisas nos robôs...
- Quê?! Robô?!
- Não, nada. Esquece isso aí.
- Ai... Tá. Tá bom. Agora, cadê a ereção?
- ?
- Toshiro, endurece esse troço!
- Sei lá como! Por que ele deveria estar duro?
- Porra, você não tem tesão? Nem por mim?
- Sei não...

Tieko dá um forte tapa na face de Toshiro.

- Tá certo... Eu tenho que me controlar. Escuta, por que você não toma a iniciativa, então?
- ?
- Olha, você poderia me fazer um pouco de sexo oral.
- ?
- Toshiro... Sabe tua lingua, bonitinha?
- Sei.
- Pega ela e lambe minha vagina, então, porra!!!
- Calma, merda! Em primeiro lugar, só tô fazendo isso pra você me deixar montar meu octuagésimo robô!
- Então, acelera!
- Tá bom, lá vou eu... Putz! Eu não vou meter a boca aí, não. Teu xixi sai por aí, sabia?
- Toshiro, deixa de ser fresco! Eu lavo isso todo dia!
- Sei não...
- Anda logo, senão eu não saio daqui.
- ... se é o único jeito... lá vou eu.
- E-Ei... Até que levas jeito...
- Que gosto estranho... Lembra o sushi da mamãe...
- ...
- Mas não tá gostoso... Posso pegar o molho shoyo?

Tieko, enfurecida, levanta e dá mais dois tapas na face do rapaz. Ela veste as roupas e vai embora, batendo forte a porta. Toshiro continuaria virgem, mas e daí? Agora, ele poderia terminar de montar o seu robô.