Conto: O médico
Jorge vai visitar o paciente na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo).
- Olá. Como vai?
- Puxa, doutor... 500 Reais naquele remédio que o senhor recomendou... Foi sacrifício, viu? Ele vai me curar, mesmo?
- Não.
- Mas... então?
- Tenho parceria com o laboratório que produz o remédio. É sempre a mesma coisa. Vocês, ricos, acham que podem comprar a cura pra tudo. Então, o laboratório cria remédios feitos de açúcar e eu recomendo esses remédios a vocês, que compram. O laboratório divide o lucro comigo, não precisa se preocupar.
- Seu... seu...
- Sinto muito, você sabe demais. É hora de desligar o seu aparelho de oxigênio.
- Por favor, não!! Não!! N-não...
A familía do paciente chega.
- E então, doutor Jorge?
- Infelizmente, fizemos tudo o que podíamos. Nem o milagroso remédio de 500 Reais pôde salvá-lo. Estava na sua hora, mesmo. Que Deus o tenha.
- É uma pena, mesmo. Muito obrigado, mesmo assim, doutor. Eu sei que o senhor deu o melhor de si.
- Com toda a certeza. A vida de um paciente não tem valor.
Jorge retira-se e pega seu celular.
- Fonseca? Seguinte, tô indo aí pegar minha parte da grana. Deixa com o porteiro, que tô com pressa. Beleza, até mais.
E esta é a história de Jorge, o médico mercenário.


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