Conto: Por frescura
Aquela aventura nos alpes não havia sido uma boa idéia.
- Carolina... Nós... Vamos morrer?
- Não sei. Tá muito frio aqui.
- Droga! Por que nós fomos nos separar do grupo?
- Isso não importa, agora. Temos que nos manter aquecidos até o amanhecer.
A idéia vem ao rapaz.
- Carolina... E se nós nos aquecessemos com calor corporal?
- Hã?
- É a única chance. Não temos outro jeito. Vem, me abraça, vamos nos aquecer.
- Tá certo.
Os dois corpos abraçados, naquela escuridão. Um clima romântico.
- Sabe, Carolina... Eu sempre quis te dizer isso, e esse momento, embora trágico, é bem oportuno...
- O quê?
- Eu te amo, Carolina!
- Como?! Tá louco?
- Por quê?
- Você é meu amigo! Amigos não fazem essas coisas!
- Mas o que tem a ver?
Carolina sai dos braços do rapaz.
- Olha, não vou ficar perto de ti depois dessa, não. Vai que você tenta alguma coisa pervertida comigo...
- Mas, Carolina...
- Sai de perto! Sai de perto!
- Como vamos nos aquecer?
- Tô nem aí! Sai de perto!
O dia amanheceu, mas de nada adiantou. Pela frescura de Carolina, os dois morreram congelados.


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