terça-feira, outubro 09, 2007

Conto: Estudo

Na biblioteca da escola, William se espreguiçava.

- Porra, William! Biblioteca é lugar de estudar! Que tu faz aqui na maior vagabundagem?
- Tá o maior sol, lá fora. Aqui tem ar-condicionado. Melhor ficar aqui.
- Se liga, pô! Amanhã tem prova de química! Já viu o tamanhão da matéria pra estudar?
- Já. É bem grande.
- Então! Vai estudar! É pra ler os 5 últimos capítulos do livro.
- Fica calmo, eu sei o que tô fazendo.
- Tu que sabe... Vai se dar mal na prova.
- Vou, não. Aí, olha só! Deu uma nubladinha, vou aproveitar e ir pra casa. Até amanhã.
- Até, William... Mas tô falando, tu vai te ferrar na prova.

O amigo de William ficou estudando por mais 6 horas. Depois, foi pra casa.

No dia seguinte, a prova. William chega calmo, o amigo está tenso.

- Cacete, não sei como tu vai fazer isso sem ter estudado... É muita matéria.
- Porra, deixa de frescura. Já te disse que tá de boa.

A prova começa. Todos os outros alunos começam a pôr os livros de química sobre a mesa. O amigo de William estranha.

- Mas que porra é essa? Vão colar assim, na cara dura?
- A prova é com consulta. O professor passou aqui no final da aula, ontem, pra avisar.
- Cacete... Eu tinha ido pra biblioteca essa hora... E não trouxe o livro, hoje.
- Pô, te deste mal.

Dá branco na cabeça do amigo de William, que não consegue resolver uma questão da prova. Todos os demais alunos, com o auxílio do livro, resolvem a prova por completo, tirando notas somente de 9 para cima. Após receber a única nota 0 da turma, o amigo de William começa a chorar.

- Pô, cara... Chora não... Isso vai aliviar tua dor.

William entrega um revólver ao amigo, que se suicida. Os portões do além-vida recebem mais uma alma dilacerada pelo estudo.