Conto: Sempre igual
Ele olha para os cabelos da garota. As mechas balançam soltas ao vento, negras, mas com um brilho suave e confortante. O cheiro lembra o de flores molhadas, depois que a chuva vai embora. Era assim, naquela tarde nublada, onde os dois olhavam para o horizonte. Ele fitava o rosto dela, um rosto delicado, angelical. Ela pergunta, enquanto sorri, meigamente.
- Então... O que você queria me dizer?
- Bom... Eu... Te amo.
- ...olha, nada contra você, mas... não é isso que eu quero.
- É pica.
- Oi?
- É pica! É pica que tu queres, né?
- Hã?
- Pica ou dinheiro... Um dos dois... Quem sabe, ambos.
- Olha...
- Vai te fuder!
Ele tira a faca da mochila. Já estava preparado, caso isso acontecesse; não seria a primeira vez. Depois, seguiu os impulsos. Era incrível como ele fazia isso rápido. O esbravejante xingamento ainda ecoava no ar, quando ele havia terminado. A camisa branca da garota ficando lentamente vermelha, os olhinhos dela se fechando, uma expressão de dar pena. Ele, frio. Estava acostumado. Deu as costas, foi-se embora.
- Porra, é sempre isso! É sempre igual! Bando de putas!


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