Conto: O copo d'água
- Me dá um copo d'água aí, amigo.
- Aqui não tenho isso... Tenho um galão de água, 20 litros, tá custando 4 Reais. Vai?
- Não, não. Me arranja só um copo d'água, por favor.
- Tenho não, amigo. Vais ficar sem.
Outras freguesias vão chegando, o homem atendendo todas, mas sempre distraído.
- Não vai me dar o copo d'água, não? Tô pedindo há meia-hora.
Pausa para o almoço. O homem pega sua marmita e começa a comer... Interrompido, claro.
- Ô, moço! Será que num veio um copo d'água nessa sua marmitinha?
Volta à atividade, os fregueses se aproximam para comprar as coisas.
- Eu quero um copo d'água, por favor!!! Já tô cansado de pedir!
Final de tarde, a loja está fechando, nenhum freguês por perto.
- E então, moço? Vai me arranjar o copo d'água?
O homem certificou-se de que não havia ninguém por perto.
- Espere um pouco, vou lá nos fundos da loja buscar pra ti. Não sai daí.
- Oba. Até que enfim.
O homem volta com a garrucha que foi presente de seu avô, e diz pro pedinte:
- Tu peças pra Jesus, que Ele tem de tudo por lá.
- Num faz isso não, moço.
- Faço, sim!
O homem deu dois tiros de garrucha no pedinte, que agonizava no chão. O atirador deu no pé, a fim de que a polícia não o capturasse. Logo acionaram uma ambulância, pois repararam que o ferido estava sangrando demais. Botaram o coitado no veículo, mas ele chegou morto no hospital. Não de hemorragia, mas de desidratação.


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