quinta-feira, janeiro 11, 2007

Geschichte: Das faule denkt

José adorava vagabundar. Vagabundar, sabe? Não ter que trabalhar, ficar só no ócio... E pensando. Não sei como o José arrumava tanta coisa pra ficar pensando. Muitas vezes, nem eram coisas importantes. Eram banais. Mas ficar tanto tempo pensando? Nunca vi! Quantas vezes o homem não abdica de sua consciência para virar alguém inconsequente? Quando ele tem relações sexuais sem amor, buscando apenas o prazer, quando ele é dominado pela raiva e mata outra pessoa, quando ele é alienado e não tem que se preocupar com um objetivo sério na vida...

José lembrou que também não estava fora da alienação, pensou até em um jeito de escapar.

- Não, não vai dar certo...

Viu que não daria pra escapar, tentou compensar.

- Pelo menos, vou participar o mínimo possível desse sistema.

Lembrou que precisava do sistema para difundir suas idéias.

- Ah, a Internet, a globalização...

Mas viu que não era tão necessário assim, dado o alto grau de alienação das pessoas.

- E de que adianta eu ter idéias? Nunca mudei uma pessoa, mesmo... Nem mesmo a mim.

Voltou a pensar em coisas banais. Pensou no clima, pensou nas suas doenças... Resolveu pensar no futuro. Será que conseguiria finalmente tocar bem a sua flauta? E os sonhos? Será que se realizariam?

- Mesmo que não se realizem, se eu puder ficar só pensando... Já tenho um consolo.

Pensou em morar no interior.

- Pode ser... A paisagem é mais bonita, o ar é mais puro... Talvez dê pra viver mais, pensar mais... Tocar mais a flauta... E quem sabe eu não realize alguns dos meus sonhos por ali? Se um dia eu conseguir, vou tentar.

Então, lembrou das dificuldades da subsistência.

- Nunca é tarde pra aprender a pescar e plantar... Mas vou ter que comer menos... Senão é trabalho demais.

Pensou em pessoas felizes. Não em pessoas que estão momentaneamente felizes, ele pensou em pessoas que realmente são felizes. Ele gostava delas, lhe davam esperanças. Era curioso ver como pessoas conseguiam ser felizes com tão pouco. Ele pensou de novo.

- Eles não têm dinheiro, têm amor. Deus falou isso, uma vez... Ou foi Jesus... Não lembro. Vai ver algum deles, ou quem sabe os dois, eram filósofos.

A amizade era legal.

- Pessoas que gostam de estar na companhia de certas pessoas, lhe fazem bem, lhe dão alegria. Bem que esse amor e cordialidade podiam se estender.

Lembrou que para melhorar o mundo, deve-se melhorar o homem. E ele também era um homem.

- Penso demais, para alguém impuro. Talvez eu devesse melhorar uma série de coisas em mim, para depois voltar a ter idéias. Fica meio estranho um sujo falando da importância da limpeza... Ou será que é porque pessoas como eu não têm credibilidade, mesmo?

José deu um bocejo. Deitou na cama para averiguar... E o sono veio. Resolveu dormir, o que coroava sua vida de ócio. Vida preguiçosa não tem hora pra dormir, não tem hora pra acordar, não tem hora pra bocejo, não tem hora pra pensar. José e o tempo eram amigos, nenhum deles tinha pressa, nenhum era escravo do outro. Talvez porque José tenha percebido que sua existência neste mundo não será eterna, e o tempo respeite isso. O respeito é mútuo. Respeitando o tempo, serás respeitado por ele. Saber que tudo tem um tempo motivava ele a tentar fazer algo melhor. Contrastava com a sua preguiça, claro, mas ele tinha essa vontade. Quem sabe, se ele conseguisse ajudar alguém, essa vida teria valido a pena. Vamos tentar considerar como um objetivo a ser cumprido, mas, por hoje, o "expediente" fechou. E enquanto a massa levantava para trabalhar, José ajeitava o travesseiro e preparava-se para dormir.

- Deus me deu essa vida por algum motivo. É uma vida com vantagens e desvantagens, como toda outra vida. Cabe a mim descobrir como melhor usar ela. Depois que eu acordar, eu continuo.