Geschichte: Einziehen der Versuchungen
Maciel foi visitar Alfredo, seu velho amigo de infância. Tinham muitas coisas em comum, mas, das em que divergiam, a mais notável era a religião. Enquanto Maciel era católico fervoroso, Alfredo era ateu. Embora o religioso se sentisse desconfortável com a escolha do amigo, esse fato nunca atrapalhou a amizade entre os dois.
- Bom dia, Alfredo. Como tem passado?
- Muito bem, Maciel. Obrigado. Estou almoçando, agora. Não quer se juntar a mim?
- Vim só te ver, Alfredo. Não quero incomodar.
- Deixa disso, homem! Você nunca incomoda. Vem! Vamos pra mesa!
Maciel, depois da relutância, acabou por aceitar o convite do amigo. Chegou à mesa e viu vários pedaços suculentos de filé.
- Vamos, Maciel! Pode se servir à vontade!
Maciel estava receioso, o que instigava Alfredo.
- O que foi? Algum problema?
- É que... Hoje é sexta-feira santa, Alfredo.
- Ah, sim, sim... Esqueci que sua religião não permite comer carne, nesse dia.
- É... Que pena.
Que pena, mesmo. Alfredo tinha fama de melhor cozinheiro da região, e o seu filé tinha um gabarito impecável.
- Mas não tem problema, não, Alfredo. É só eu não comer filé.
E os dois sentaram-se à mesa. Encheram os pratos e ora comiam, ora conversavam. Maciel estava meio desconcentrado. Sua mente pensava em outra coisa. Para ser mais exato, pensava no filé. Bem passadinho, com aquele molho... Uma tentação.
- É isso! Tentação! Só pode ser o diabo atentando! Xô, tinhoso! - pensou Maciel.
Mais garfadas e palavras foram desferidas, naquele almoço, e conforme o tempo passava, mais Maciel voltava a atenção para o filé.
Quando os dois terminaram de comer, Alfredo notou que ainda havia uma boa quantidade de filé, ainda.
- Bem, acho que vou guardar pro jantar.
- NÃO! NÃO VAI! - gritou Maciel.
- Calma, homem! Por que isso?
- Porque... Esse filé... É MEU!
Maciel, como um integrante da vara de porcos possuída pelo capeta, avançou no prato do filé. Devorou todos os pedaços de carne, insanamente, vorazmente, usando as próprias mãos e dentes, voltando aos costumes antigos dos homens, quando nem religião havia, ainda. E se não havia religião, não havia o religioso. Assim, Maciel fez. Deixou o catolicismo de lado. Virou ateu, como o seu amigo Alfredo.
Até hoje, reza a lenda de que nem o próprio diabo faz um filé tão tentador quanto aquele.


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