Denken an kursteilnehmer
Segunda-feira, sendo que sexta-feira foi dia de prova no colégio. Quando assim é, raia o dia com alguns alunos tomados pela incerteza de ter tido ou não um bom desempenho, na dita prova, outros, tomados pelo o egocentrismo, exibem sua bela performance ali feita, e, outros outros, tomados pela desilusão, lamentam a futura nota baixa a ser adquirida. Já ao pequeno Zé, cabe uma postura de "o que vier, veio"; tento obter uma boa pontuação, só para terminar logo o martírio escolar, mas se não deu, paciência.
O bom de minha postura desleixada é que deixo de vidrar as atenções em mim (não fico ponderando sobre incertezas ou fatos consumados sobre meu desempenho), e passo a olhar os outros. A inteligência técnica não me dá as caras, sou "burrinho", assim dizendo, e onde me situo, na sala aula, vivem pessoas que, embora sejam mais inteligentes que eu, compartilham da mesma visão modesta possuída por mim. Gosto de citar as coisas armando uma situação, então, aqui vai:
Dois alunos inteligentes da sala-de-aula, ao checarem o gabarito da prova:
- Amagad! É o fim!
- O que foi?
- Das quinze questões, eu errei duas!
- Oh, noes!
- Cara, me abraça! Não vou passar no vestibular, no fim do ano!
- Calma, amigo! Estou aqui pra te consolar!
- Buaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!
Dois alunos modestos da sala-de-aula, do grupo social com o qual interajo:
- Oigalê! Agora, foi!
- O que foi?
- Das quinze questões, errei só cinco!
- Puta merda! Estás feito, caboclo! Tá passado no vestibular!
- Fiesta, cabrone!
- Arriba!!!!
Os dois pegam uma viola e começam a cantar: "El sol dela Galicia brilla fuerte como siempre..."
O que explica isso? Será aquela visão de otimismo ou pessimismo? Copo meio cheio, copo meio vazio? Besteira! Fato é fato! Um pelego que duas questões erra na prova, com nove de dez pontos fica! Sendo média escolar de sete pontos, tu estando com dois pontos acima da média, e um abaixo do máximo, mau estás? Pessimista ou otimista, tens de reconhecer que nove pontos é nota boa! Qual problema há com o povo inteligente em conhecimento técnico, que em nota boa vêem fracasso? Seria pressão dos pais?
- Somente nove pontos, Gustavo Bierhoff Junior?
- Não é uma nota boa, papai?
- Só se for para fracassados como você! É para isso que pago seu colégio?
- Mas, papai...
- Cale a boca, moleque! Vá para o pelourinho! Um castigo lhe espera!
Estranho, porque aqui em casa é:
- Mainha, pontuei sete, na prova!
- Tá de brincadeira, moleque?
- Falo sério!
- Santo Expedito das Causas Impossíveis! Obrigado por ajudar minha criança!
- Viva o santo!
- Espere um pouco que vou ligar para o restante da família, para avisar as boas novas.
Sinceramente, não entendo o pessoal cujo único resultado satisfatório é a pontuação máxima. Na maioria das vezes, são estudantes que almejam o curso de medicina. Ah, maldito curso! Tanto de ti falado, assusta quem a ti almeja, deixa-os confusos e alienados. Parece que o formador-de-médicos é o ápice dos almejos estudantis, reservados aos que dedicam metade de seu tempo para carimbar na mente letras e números com tinta frágil, que some assim quando desnecessária. É curso em que professores e coordenadores de colégio mencionam como "de ponta, reservado aos mais bem desenvolvidos intelectualmente". Pobre de mim, que não quero ser médico, pois sou ignorante, de acordo com eles. Pobre também de Maquiavel, Rousseau, e outros asnos que não puderam ser médicos. Somos uma ralé de pseudo-intelectuais, gentinha que por aí anda, por jamais termos adentrado em uma faculdade de medicina. Oh, vil tortura! Que de mim pensador fizeste, faça-me médico, inteligência de branco se veste!
Ironias à parte, sem querer desmerecer o feito dos que doentes curam, mas tirando-lhes o brilho excessivo a eles dado, são pessoas convencidas de que reproduzem o martírio de Jesus, mas sob forma de estudo. Convencem-lhes de que possuem vida digna de piedade, uma vida de sofrimento, dos que ardem nas chamas do Tártaro, para um bem maior alcançarem. Em minha humilde e insignificante opinião, fixar os olhos em letras durante horas não faz bem o tipo de tortura ditada pelos "convencedores". Isso mal-acostuma! O estudante de medicina passa a se achar um injustiçado, alguém bastante cobrado, alguém fatigado, que necessita passar por isso, se quiser pendurar estetoscópio no pescoço e trajar jaleco com seu nome escrito. Passam a usar isso como desculpa para várias situações, e sempre têm a cabeça afagada pelos convencedores, que o fazem por ignorância ou por lucrar com o sucesso do aluno. Assim sendo, vejamos o encontro do "aluno inteligente" com o "aluno modesto":
- Buaaaaaaaaaaaaaaaa! Buaaaaaaaaaaaaaaaaa! Snif, snif...
- Ei, amigo... Por que choras?
- Snif... É porque eu... snif... Tirei 9 na prova! Buaaaaaaaaaaa!
- Calma! Eu tirei 7, e estou muito contente!
- MAS EU QUERO CURSAR MEDICINA, PORRA!
Pronto! Agora, irritou-se o aluno inteligente! Ele questiona aos céus por que os outros não entendem o seu sacrifício para poder virar doutor e encher os bolsos com dinheiro. Logo, a paranóia toma conta da pessoa, e ela pára de discernir o lógico do ilógico:
- Por que você matou sua mãe só para ficar com o dinheiro do seguro?
- NÃO TÁ VENDO QUE QUERO CURSAR MEDICINA?
- Por que você tocou fogo no índio que dormia naquele ponto de ônibus?
- MEDICINA, MERMÃO! EU VOU CURSAR MEDICINA! ME DEIXA EM PAZ!
- Por que você gosta de ser sodomizado por cavalos puro-sangue?
- PORQUE EU POSSO! PORQUE EU MEREÇO COMPREENSÃO! EU VOU CURSAR MEDICINA, SABIA?
Louco sou, mas esses tipos de pessoas alienadas me superam facilmente. Pessoas que EXIGEM serem reconhecidas como seres dotados de árduo cotidiano, para alcançar o degrau máximo de status estudantil. É isso que massacra a modéstia e o bom senso.
Nada contra tenho para com a medicina. Só que esta teve o azar de ser área acolhedora de indivíduos desse porte, mas sucede semelhante em outros cursos cuja dificuldade de admissão é elevada. Também não generalizo. Não confunda um enfoque em certos casos com generalização. Há pessoas que querem passar em medicina e são normais. Conheço um rapaz normal e que tem essa vontade. Entretanto, muitos outros, mesmo que não tenham todas as características que citei, possuem algumas delas. Como, por exemplo, fazer-se de cão sem dono para despertar compaixão no próximo, pela rotina estressante que o futuro médico tem. Pois bem, muito satisfeito ficarei se o rapaz normal que citei passar em medicina, já que ele é diferente dos outros, não afoga-se em estudos e tem tempo para aproveitar a vida. E ele é inteligente! Viva-prova de que conhecimento técnico não se mede só pelo tempo de estudo.
Gastei um texto para falar de algo que nem gosto... Estudar, estudar, estudar... Como se homens sem estudo tivessem nascido da entranha de Satanás, e digníssimos doutores físicos e químicos não destruissem a natureza com suas mirabolantes idéias progressistas-tecnológicas.
Se leu até aqui, obrigado! Deus lhe abençoe, como faz por todos nós.


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