segunda-feira, janeiro 22, 2007

Geschichte: Ein Weg

José morava só e não tinha muito o que fazer. O emprego pagava mal, mas também não explorava. Quatro horas diárias, cinco dias por semana, e até que o salário dava pra pagar as contas. Também, ele não gastava muito. Pensava que, se fosse rico, a única coisa que ele teria a mais era o próprio dinheiro. Todas as coisas materiais que queria podia comprar com o seu modesto salário. Viver de forma relativamente humilde parecia ser a prevenção contra o estresse, que tanto via nas outras pessoas. Observava pessoas como passatempo, ou como forma de passar o tédio. O relógio mostrava o meio da tarde, três horas. Já havia voltado do emprego e estava sentado, no sofá de sua casa. Decidiu passear. Dia nublado, pegou o guarda-chuva e saiu. Foi à padaria. Pediu uma xícara de café e sentou-se em uma das mesas. Logo depois, o café chegou. Bebia aos poucos e olhava as pessoas, dentro e fora da padaria. Nenhuma delas lhe chamava mais ou menos atenção. Todas, ali, eram iguais. A rotina, a aceitação, o individualismo. Ele já havia tentado mudar aquilo, aconselhou uns e outros, mas ninguém deu importância. Depois de pensar um pouco, percebeu que, ao desistir, também tornou-se individualista. Era uma forma diferente de ser, mas realmente havia tornado-se um. Ele não queria dar importância só a si mesmo, mas não encontrava ninguém a que pudesse destinar um carinho, uma afeição. Percebeu que por mais que estejamos no caminho certo, ou o que consideramos certo, devemos sempre estar atentos para nunca mudar de direção. Caiu a chuva. Ele abriu o guarda-chuva e seguiu o caminho de casa. Viu um mendigo. Resolveu, temporariamente, mudar o caminho do trajeto e da vida, voltou para a padaria. Comprou um sanduíche de queijo, voltou e entregou ao mendigo. José não sabia por que fez isso, e sabia que o mundo não mudaria com isso, mas sabia que todos gostam de receber ajuda, nem que seja uma pequena, uma insignificante. O mendigo agradeceu, e, naquele momento, pelo menos naquele momento, José sentiu que foi bom estar ali. Voltou pra casa, e ficou passando, junto com o tempo. Sentado, vivia a vida individualista de sempre. Sem ganância, sem vaidade, sem avareza, mas, ainda, individualista.